De carona, mas pagando passagem!

Olha eu aqui de novo! Nem deu tempo para sentirem minha falta, mas... vamos logo ao assunto. Ultimamente, andei lendo algumas fanfics (vocês ainda se lembram do que é uma fanfic? Então vejam no post do dia 08/06/2007, oras!) com os "causos" da Ino Yamanaka, a personagem de animê favorita deste blog -vocês já devem saber, e CIA. Uma dessas fanfics me lembrou de um meio de transporte nosso... Um que é acessível a (quase) todos, grande e comprido, e por vezes maltratado pelos governos. É o nosso velho amigo, o ônibus!

Eu trouxe aqui um trecho da fanfic que falou desse nosso querido companheiro. Essa fanfic chama-se "Aquela música", retirei do site http://www.fanfiction.net/s/4061990/1/Aquela_M_sica e nela dois amigos ninjas da Ino Yamanaka, que são Neji Hyuuga e Tenten, resolveram, num belo dia, encarar o transporte público. Como eles se sairão? Só lendo para descobrir mesmo...


Um ônibus comum, desses que pegam passageiros nas paradas de ônibus. 

(...)

- Ótimo, chinchila!

- Quer parar de me chamar assim?

- Chinchila é um ótimo apelido pra você... Não sei porque você não gosta. -Dei de ombros. O pobre animalzinho era muito parecido com ele. Cheio de frescuras e coisa e tal.

O bichinho também é uma coisa fofa, claro.

Só nisso que o Neji é diferente.

Ele é maravilhosamente lindo...

- Você tá fazendo de novo... -Resmungou, olhando-me atravessado.

- O que eu tô fazendo agora!?

- Babando em cima de mim! Contenha-se, Tenten! E só me ver que já pensa em boi, ferro quente e chinchila! Inacreditável...

Franzi o cenho em desagrado. Quem aquele idiota pensava que era? O rei da cocada preta?- O que estamos fazendo parados aqui, Neji? -Perguntei entre os dentes.

- Esperando o ônibus? (Intromissão da dona deste blog: É aí que entra a história do ônibus!) 

- Ora! Isso só pode ser uma pegadinha sua!

- Bom, se você acha...

- Você é o cara mais rico daqui dessa cidade e quer andar de ônibus? Pra quê, chinchila? Tá com graça de novo?

Será que eu simplesmente não conseguia ser mais desagradável? Como é que esse idiota ainda me agüenta?

- Eu quero andar de ônibus, só isso. E você veio de companhia, caso eu passe por alguma situação desagradável.

Ótimo! Como dizem, sorte de pobre não dura muito... Eu mereço!

- Quer dizer mico?

- Também. -Respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo- Nunca andei de ônibus, então hoje eu quis experimentar. Aí eu te chamei.

Será que, por acaso, eu tenho cara de idiota?- Tá, Neji. -Desisto!- Então vamos pegar esse ônibus logo! Primeiro me fale onde é que você quer ir...

Neji demorou alguns segundo para me responder. Ficou olhando suspeitamente pra mim. Droga! Acho que ele achou algum inseto ou folhinha que deve ter caído no meu cabelo!- Neji?

- Hum...

- Então? Pra onde você quer ir?

- Praquele lugar que vende coisas antigas.

- Tá dizendo praquele antiquário?

- Ahã.

Suspirei. Nem por isso ele era emotivo. Não demonstrava nada. Nem mesmo medo de cair da catraca ou ansiedade em andar de ônibus. Talvez ele nem saiba o que é catraca, afinal...

- Pronto!

Um ônibus de coloração azul parara no ponto. Neji fitou-me por alguns instantes como se me perguntasse o que fazer. Resolvi subir primeiro... Não era tão mal assim, né?- Bom, você só tem que dar o dinheiro pro cobrador e passar pela catraca.

- Catraca?

- Um negócio rotativo de metal...

- Ah!

- Sabe o que é?

- Não...

Suspirei pesadamente dessa vez- Eu passo primeiro, okay?

- Certo.

Subi no ônibus, entreguei o dinheiro e passei pela catraca lentamente. Estava ensinando um riquinho a andar de ônibus! Que emocionante...

- Agora pode vir?

Neji subiu os degraus rapidamente e entregou o dinheiro. Até aí, nada problemático. O verdadeiro problema estava em passar na catraca. Neji empurrou seu corpo umas três vezes pra passar por lá. Até que o cobrador infeliz resolveu ajudar:

- É só forçar o seu corpo um pouco mais, amigo.

Tudo o que ele recebeu foi um olhar assassino vindo por parte do Hyuuga. Pelo menos ele não recebeu uma espadada ou uma pedrada na cabeça. Menos mal.

- Foi difícil, Neji?

- Não.

- Bom, como não tem lugar pra gente se sentar, se segura logo em algum lugar antes que o ônibus começe a an-

E aquele veículo TINHA que ter começado a andar.

O corpo de Neji perdeu por alguns instantes o equilíbrio, indo pra cima do meu. Por sorte (Ou azar) ele foi mais rápido e segurou numa das barras de ferro que ficam no teto. Mesmo assim... Aquele perfume estava sendo demais pra mim... Ele estava MUITO perto! Perto até demais! Se ele continuasse assim, não me responsabilizaria por meus atos!

- Foi por pouco! -Disse tentando quebrar aquela situação no mínimo desconfortável. Pra ele, claro! Porque pra mim, era só festa! Nada poderia estragar meu dia agora!

- É -E aquela voz rouca fez com que um frio na espinha subisse pelo meu corpo. Agora ele estava abusando mesmo!

- Pelo menos a gente não quebrou uma perna.

- É... Se eu não tivesse me segurado nesse negócio de segurar, teríamos levado um tombo!

Meus olhos se arregalaram e um riso escapou da minha boca. Tentei conter o resto que teimava em sair, com sucesso. O Neji falando "negócio de segurar" foi hilário! E eu pensando que meu dia não poderia melhorar!

- O que foi, Tenten? Por que você riu?

Vamos ser delicadas, Tenten! Olha a compostura! Tem uma miltidão filmando as suas reações!

- Na-nada não!

- Engraçada! -Girou os olhos em desacordo com a minha expressão tristonha. E eu achando que ele era um ser extraterrestre por conseguir ser bonito, inteligente, irritante e saber de tudo no mesmo ser, tornando-o perfeito e mais próximo de Deus ou coisa assim. Huhuhuhu! Agora eu posso muito bem discordar do "saber de tudo"... Não que seja grande coisa e tudo o mais, mas dá pra me deixar ser feliz por algum momento? Pelo menos agora ele não é tão perfeito assim...

Tornei a olhar Neji com o canto dos olhos. Ele parecia incômodo com o "pula-pula" do ônibus. Sinceramente, ele nunca mais andaria de ônibus depois disso!

- Vai demorar muito?

- Mais ou menos... Esse ônibus passeia bastante por aqui. Mas logo logo a gente chega! O importante é sair daqui vivo!

Neji franziu o cenho novamente, cerrando ainda mais seus lábios. Uma expressão adorável se quer saber!

Voltei a babar nele novamente. Sorte a minha que o Hyuuga não estava percebendo! Ou estava mas me ignorava.

Acho que a segunda alternativa é a que faz mais sentido... Para meu desagrado, claro.

- Chegamos!

- Finalmente... Odiei essa experiência.

- Bom, pelo menos você não vai poder me culpar.

- Talvez... Então vamos sair logo daqui.

Neji já ia na direção da entrada do ônibus. "Tadinho, Tenten! Ele nunca andou de ônibus!" -repreendia-me mentalmente. Infelizmente eu nunca tive um auto-controle muito bom quando as coisas eram direcionadas ao meu querido Neji. Porém, contudo, entretanto, eu estava realmente com dó dele, aí a risada que era pra sair acabou não saindo.

Andei até ele e puxei-o pela mão- É por aqui.

Talvez estivesse me aproveitando daquela situação, mas não pude deixar de perceber em como a mão do Neji era quente e gostosa de segurar. Segurei ainda mais forte enquanto descíamos do automóvel. Com certeza, a futura namorada dele teria uma imensa... Droga! EU quero ser a futura namorada dele!!

- Obrigado, Tenten!

Abri um sorriso.- Não precisa agradecer! -Teria que soltar da mão dele. Aff! Tudo o que é bom, dura muito pouco tempo... E eu nem aproveitei o suficiente!

- Bom, então vamos andar um pouquinho pra lá. -Disse me puxando pela mão novamente para a direção contrária de nosso destino.

- Hum? Mas a loja de antiquário fica do outro lado da rua! Espera... Você não queria ir pra lá?

- Não. Abriu uma praça nova aqui perto e eu queria ver como estava.

- Ah, tá... Você vai voltar de carro, né?

Neji olhou pra mim sem entender nada.

Provavelmente ele estaria esperando outra garota nessa tal praça e me convidou só pra me fazer vê-lo com outra...

Porque eu era uma idiota apaixonada por ele e provavelmente ele sabia disso.

(...) 


Me desculpem se este post ficou, ocasionalmente, mais longo do que os demais. E olha que este é só um trecho da fanfic escolhida, hein!

By JuLiAnA HeLeNa

Já sei onde fica a Vila Sésamo!


Vídeo disponibilizado no YouTube antes mesmo da estréia da nova Vila Sésamo na TV Cultura.

Quê que tá escrito na capa do gibi
quê que tá escrito aqui
Quê que tá escrito bem alto, lá no céu
como é que se escreve "carrossel"

Quê que tá escrito na asa do avião
quê que tá escrito no chão
Quê que tá escrito na roda da lambreta
como é que se escreve "borboleta"

As coisas têm um nome e um nome a gente diz
Ninguém chama de "orelha" um olho ou um nariz

Palavras fazem histórias que gente grande lê
Quando eu também for grande, eu leio pra você!

Música "Quê que tá escrito", que pertence à trilha sonora da nova Vila Sésamo.

No fim das contas, só não concordo com o último verso da música acima. Ora! Quando eu ainda não era grande, eu não só lia como também fazia minhas próprias histórias!... Bom, mas a minha boa capacidade para inventar "causos" não é o que me pôs na frente de um computador hoje. Vamos ao assunto original!

Essa "Quê que tá escrito na capa do gibi/ quê que tá escrito aqui (...)" é uma das duas músicas que eu sei a letra inteira, oriunda dessa Vila Sésamo que acompanho desde meados de outubro do ano passado. Só a decorei toda porque, graças ao Wookie -que é o meu celular, caso não se lembrem- eu consegui gravar a letra. A outra música? Obrigatoriamente é a que se faz ouvir toda vez que o programa começa.

"Você sai, todo dia, da cama bem cedinho com vontade de fazer algo de bom/ No café da manhã, basta o cheiro de pão pra sentir aquela boa vibração (...)"... Todo santo dia escutando essa música enquanto um livro se abre e, no meio do montão de figuras que se levantam, estão alguns dos personagens da Vila. E a música é até mais empolgante do que a antiga "Todo dia é dia, toda hora é hora/ de saber que este mundo é seu (...)", que era da versão dos anos 70 -a que eu não tive a oportunidade de assistir, frise-se.

Mas nem tudo é melhor do que a versão em que o Garibaldo era azul. Aliás, achei a música-tema do nosso amigo pássaro usada agora mais fraca do que aquela letra que eu coloquei aqui em http://mycatblog.zip.net/arch2008-03-16_2008-03-22.html acompanhada de uma foto tirada na praia.

O Garibaldo era azul...

Sabem, a cor que preencheria as penas do Gári fora um grande motivo de preucupação para mim antes da chegada da nova Vila, além de algumas outras coisas. Isso ocorria por causa da Vila Sésamo americana, a "Sesame Street", pois era esta a que, na época, conhecia há 4 anos, tanto que eu já falava de Vila Sésamo aqui no blog cerca de 10 meses anos de a nova brasileira chegar.

Eu temia as mudanças porque, tendo o Brasil sua própria Vila Sésamo, a americana não poderia chegar mais até mim a não ser pela internet. O pior é que todos os links relacionados à "Sesame Street" eram, obviamente, em inglês. Mesmo que eu seja boa nessa língua, eu não entendo muito de inglês.

Porém, para a minha surpresa e também a de muita gente (imagino...), a nova Vila Sésamo era muito mais americanizada do que eu imaginava. Só uns, digamos, 25% do programa era feito no Brasil e os 75% restantes vinham de fora. Quando vi as primeiras fotografias do programa, levei um susto ao constatar que o nosso Garibaldo era completamente idêntico ao Big Bird, o americaninho. Idêntico desde as pluminhas na cabeça até os dedos dos pés.

As únicas coisas que mudaram de verdade foram apenas duas. A primeira foi o visual da Vila, e pensem numa mudança foi para melhor, e como foi! Certamente um lugar todo colorido seria muito mais atrativo do que a aparência um tanto sem graça da rua de Nova York que servia de morada para aquele monte de monstrinhos admiráveis. A segunda mudança, é claro, foi a Bel.

A Bel... foi muito acertado colocá-la dentro da Vila. Pelo o que eu entendi, o nome dela era para ser Bebel, até cheguei a chamá-la assim, mas por algum motivo ficou só Bel mesmo. Devido à semelhanças físicas e psicológicas, cheguei a pensar que ela era a versão brasileira da Zoe, a empolgada monstrinha alaranjada amiga do Elmo. No entanto, isso não era verdade porque, caso fosse, a Zoe não daria as caras na Vila Sésamo brasileira. Ou daria?

Bel foi uma novidade tão importante que, inúmeras vezes, ela chegou a ofuscar a figura do Garibaldo. Já perdi a conta de quantas vezes vi ou ouvi comentários do tipo "roubou a cena" sobre ela. Mas, também, a Bel, como parte integrante daquele programa, é perfeita. É uma personagem irradiante e carismática ao extremo. Basta vê-la apenas uma vez na TV e você já sente isso.

Funga-funga que tome cuidado, parece que já está perdendo o posto: Num episódio, Garibaldo chegou a chamar Bel de "a minha melhor amiga".

De fato, Bel é uma grande companhia para Garibaldo, e vice-versa. Tanto que, se o povo daquela Vila fosse um pouco mais maiorzinho, nós já poderíamos pensar no pássaro grandalhão e na monstrinha esperta como um belo par romântico. Seria tão lindo! Aliás, pares românticos não faltariam na V.S.: Além de Gári/Bel, teríamos também Elmo/Zoe, Telly/Rosita e até um triângulo amoroso, na qual os azulados Grover e Come-Come disputariam o coração da nanica Sofia Sabida.

Pena que isso não vai passar da minha imaginação... Se serve de consolo, na Vila Sésamo existe um par romântico real: Ingrid/Humphrey. Porém, eles aparecem muito pouco, e quando aparecem é só para paparicar a bebê Natasha, filha deles.

A volta da Vila Sésamo me proporcionou também algo muito interessante. Desde iniciozinho de 2005, quando descobri que o YouTube existia, eu vivia colada nos videozinhos da V.S. americana. Era legal ver meus personagens prediletos fazerem coisas novas o tempo inteiro, já que nas fitas de vídeo eles faziam sempre as mesmas coisas e isso enjoava com o tempo. Alguns desses vídeos já passara, traduzidos, no programa. Vê-los falando português é muito melhor do que quando falam inglês.

E justo por causa desse problema com o inglês, vários detalhes dos vídeos passavam despercebidos por mim. E olha que eu até proucurava ignorá-los mesmo, eu sempre dizia "Esse povo da V.S. é tão 'demonstrador' das coisas que nem precisa escutá-los para compreender". JuJuzinha boba! O impacto da nova Vila Sésamo foi comparável ao dos tempos de 2004, quando corri atrás de informações sobre Gári e CIA na internet.

Descobri outros detalhes da personalidade daquela turma. Querem um exemplo? Vi que o Grover é muito mais convencido do que eu pensava...

A única coisa que me incomodou muito nessa história toda foi a questão do horário. Televisão é tudo em hora programada: se chegou a tempo, parabéns, mas se não, perdeu. Como a nova Vila Sésamo estreou durante o horário de verão, eu tinha que sair do colégio rápido (a campainha bate cerca de meia hora antes) se quisesse curtir a turminha do início ao fim. Após o fim do "adiantador", foi-se esse problema mas apareceu outro, o das minhas horas de estudo ficarem um pouco comprometidas.

Por volta de maio deste ano, a TV Cultura deu uma sacudidela em sua programação que parecia ser a solução dos meus problemas. Mas não foi. A programação local entrou em cima da única V.S. que eu podia assistir, que era a passaria às 1h da tarde. Resultado: Sem Vila Sésamo. Zerou total. O programa ainda passaria às 9h da manhã e às 3h30 da tarde, mas esses horários eram inacessíveis para mim. Não sei como pude suportar esse período até a chegada das férias, quando eu finalmente estou podendo tirar o prejuízo.

Vi que, com a sacudidela acima citada, a Vila Sésamo também mudou um pouco o seu formato. Quando estreou, o programa durava uma hora e tinha divisões claras: Primeiro, Gári e Bel dominavam. Segundo, vinha o "Mundo de Elmo" e seus temas variados. Terceiro, o cotidiano de crianças do mundo inteiro era mostrado em "Viagens de Grover". Por último, o grupo 2 (gosto de me referir assim ao Grover, Sofia, Ênio e Beto quando estão juntos) nos divertia no "Brinque Comigo". Era tudo bem organizado.

Agora, ficou tudo mesclado e apertado numa parca meia hora de duração. Inclusive o "Mundo de Elmo" ficou parecendo aqueles compactos dos desfiles de escolas de samba, pela forma que vem sendo exibido. O lado bom disso é que essa nova situação equilibrou mais as porcentagens que eu citei no 8° parágrafo deste post.

Está sendo bom matar as saudades de Garibaldo e de seus companheiros, que eu não via desde maio. Para completar, no mês passado adquiri um DVD novo da Vila Sésamo americana (Oshh... Eu nem tinha contado essa para vocês hehehe!), o que é um milagre pois já fazia tempo que esses DVDs haviam sumido das prateleiras. Deitei e rolei.

Apesar de tudo, tenho notado que meu comportamento em relação à Vila vem mudando há um tempo, até já consegui me irritar com a infantilidade do programa. É, aconteceu. Continuo gostando e apreciando, mas não sou mais aquela louca por V.S. Às vezes chego a pensar que me cansei do seriado, mas sei que não é verdade.

Todo dia é dia e toda hora é hora de dizer para o Gári que aqui tem sempre um lugar para ele, e meu carinho é para ele também. Meu passarinho favorito.

Elmo e o restante também são muito bem-vindos. E sempre. Com alegria e imaginação.

By JuLiAnA HeLeNa 

I don't care

E aí, amigos queridos que sempre andam por aqui... e também os que estão curtindo este cantinho pela primeira vez... Bem, sem enrolar, como vão vocês todos? Vão muito bem? Graças a Deus.

Parece que vocês nem notaram uma pequena mudança que fiz neste blog há uns 2 ou 3 posts atrás: o meu perfil. Estão vendo a bonequinha e as informações ao lado? Pois é, é o perfil. E, por acaso, a blusa da bonequinha era roxa antes? E a calça era jeans? E a minha faixa etária era de 15 a 19 anos antes? E tinha escrito "Vila Sésamo", apesar de eu já gostar desta na época em que montei este cantinho?

Eu não falei! Fiz mesmo algumas mudanças no meu perfil, até porque a JuJu que postava nos primórdios deste blog não é a mesma que postou isto agora. O tempo muda as coisas e as pessoas.

Sendo que o que eu queria mesmo era mudar a cara da bonequinha... mas é essa mesmo que é a mais parecida comigo -apesar de ainda estar muito distante do que eu realmente sou...

...

Outra coisa: Geralmente, quando alguém viaja a trabalho, esse alguém é a mamãe. Mas desta vez foi diferente, já que quem viajou foi o meu pai. Ele foi para Fortaleza... oh, se a gente tivesse ido com ele...

Porém, já que estou aqui por estas bandas mesmo, o que nos resta é cantar e dançar um pouquinho. Para tal, eu trouxe aqui uma musiquinha para vocês. Vamos ligar o som?

Como a letra da música já está disponível no vídeo -aliás, o vídeo é meio que karaokê da canção- então eu vou por aí abaixo apenas a tradução. Tradução na qual eu mexi um pouco, pois as versões oferecidas pelos sites estavam um tanto estranhas... Não haviam traduzido a música direito, foi isso! Aproveitem!

I DON'T CARE (TRADUÇÃO)
EU NÃO LIGO


Quando nós nos encontramos, eu soube então
que tinha algo legal sobre você
apesar de alguns amigos meus
não tivessem notado isso

Você e eu sozinhos caminhamos
e começamos a conversar
Paramos durante a noite contando as estrelas

Eu não ligo para o que dizem
Eu não ligo para o que fazem
Pois eles sempre somem
quando é justamente eu e você

Bem, é maior que uma colisão
uma fuga impossível
Eu não ligo para o que dizem
quando você está ao meu lado
Eu não ligo

Todos os meus amigos acham que você é estranho
mas eles não sabem muito sobre você
pois nós sumimos quando
você se desprende deles

Tão bagunçado é o seu cabelo
que não sabem o quanto você me trata bem
Não dou atenção
pois sei quem você é

Eu não ligo para o que dizem
Eu não ligo para o que fazem
Pois eles sempre somem
quando é justamente eu e você

Bem, é maior que uma colisão
uma fuga impossível
Eu não ligo para o que dizem
quando você está ao meu lado...

Conte-me histórias, faça um desenho
pendure-o no céu (no céu)
Não minta e não guarde segredos
O tempo pára mas os dias passam

Eu não ligo... (Eu não ligo para o que eles dizem
eu não ligo para o que eles fazem)
Oh no no no...

(Parte instrumental)

Eu não ligo para o que dizem
Eu não ligo para o que fazem
Pois eles sempre somem
quando é justamente eu e você

Bem, é maior que uma colisão
uma fuga impossível
Eu não ligo para o que dizem
quando você está ao meu lado...

Eu não ligo para o que dizem (Eu não ligo para o que dizem)
Eu não ligo... (Eu não ligo para o que fazem)
Oh yeah yeah (Pois eles sempre somem)
quando é justamente eu e você

Bem, é maior que uma colisão
uma fuga impossível
Oh yeah (Eu não ligo para o que dizem)
Quando você está ao meu lado...

...eu não ligo


By JuLiAnA HeLeNa

Esse nosso mundo...


Poderíamos comparar a situação do mundo de hoje com a de um gato que precisa catar comida no lixo. 

Flynn, venha cá... Flynn, largue esse pneu que você já está parecendo o Batman! Não vê que a borracha suja você de preto?... Ahn... Um dia eu ainda compro um arranhador para você...

Sabe, Flynn... Já faz algum tempo que eu cansei de ver todo mundo botando a culpa no governo. Ou melhor, nos políticos. Essa é a palavra.

Vou explicar: É claro que vãos da máquina democrática tem muita coisa ruim, muita sujeira. E eu também sei que nem todo político é santinho. Ou seja, o fato de me cansar de ver todo mundo botando a culpa nos políticos vem de que eu sei que o buraco é muito mais embaixo. É algo que transcende a esfera política e já está infiltrada nos quatro cantos de nossa vida. Mas também sei que isso não os insenta de alguma culpa.

Ok, Flynn... pode sentar-se, tá aqui a cadeira. Não quer? Então deixe para lá. Você gostava tanto de cadeiras...

Então, Flynn, acompanhe meu raciocínio. Vamos pegar aqui os nossos três grandes problemas: corrupção política, desarranjo ambiental e as desigualdades sociais. Me diga, você não acha que essas três coisinhas chatas praticamente... saem de uma mesma cartola?

Vejamos. Vamos começar pelo o que eu chamei de "desarranjo ambiental".

Até você faz idéia do que seja aquecimento global, certo, bichano? As florestas são desmatadas, desertificando milhões de quilômetros quadrados que poderiam estar abrigando boa vida verde. Em paralelo, a terra vai sendo esburacada por causa da busca por recursos minerais. E para onde vão a madeira e os minérios?

Flynn muito sabidinho... Para a indústria, não é?

E lá o problema continua. As indústrias não têm aquelas chaminés enormes, altas que só elas, que ficam soltando fumaça? Aquela fumaça é um misto de... digamos... coisinhas que quando chegam lá em cima começam a causa problema. E aí vem chuva ácida, inversão térmica, efeito estufa, um monte de problemas que deixam o clima à beira da loucura.

Voltando às árvores cortadas e aos buraquinhos -olha a ironia- no solo, isso provoca erosão e, se a área degradada estiver às margens de um rio, vem a lixiviação (é assim que se escreve?) e, por fim, o assoreamento, que deixa o leito do rio mais raso. Quer um exemplo? Olhe então para o nosso Velho Monge, o rio Parnaíba. Sabe o que são aquelas coroas de areia, Flynn? Assoreamento.

Isso sem falar do lixo, mas isso irei explanar para você mais à frente.

Agora vamos para a questão da corrupção política, com a qual iniciamos esta nossa conversa, meu caro Flynn. Vamos pensar... o que levaria um político a ser corrupto? Se dermos uma olhada no padrão de vida deles, vemos que eles já têm bastante coisa. Então para quê querer mais?

Se lembra que eu lhe falei que o buraco era mais embaixo?... Não? Memória fraca a sua, hein!

Se você olhar em volta, poderá notar -e aposto que você já notou, Flynn- que somos a todo instante impelidos à querer mais, tanto que já estamos com isso bem acomodado em nossas cabeçinhas. Então, lógico que eles vão querer mais do que já tem. E se os meios lícitos de se conseguir mais coisas se esgotam, que venham os ilícitos! Não é à toa que chamamos isto de falta de ética, ou de vergonha na cara, como muitos preferem dizer.

Agora, responda rápido, Flynn! De onde saem os políticos?... Sim, da nossa sociedade. Afinal, eles não são sujeitos que vieram numa nave espacial e desceram aqui, não acha?

E a insistência em querer mais também vêm da sociedade, como já pudemos ver. Outra coisa, Flynn, se esse "probleminha" está na área política, por que não estaria também na econômica. Ahá! Chegamos novamente às indústrias!

As indústrias são comandadas pelos chamados industriais, certo? E esses industriais -não todos, mas boa parte- também acometidos pela questão do querer mais... Bem, Flynn, eles vão querer mais material para abastecer seus patrimônios, já que quanto mais produzirem, mais lucro terão. Logicamente, requisitarão mais recursos naturais, e aí teremos mais florestas derrubadas e mais buracos abertos. Viu como os problemas se interligam?

E finalmente, o terceiro problema, Flynn: as desigualdades sociais.

Já que a ordem é produzir mais para que o bolso se encha mais, logicamente eles vão investir em suas máquinas para que elas trabalhem mais e melhor a matéria-prima e o que vier dela, certo? Oras! Uma máquina produz muito mais do que o simples uso da força humana, isso todo mundo sabe. O resultado: desemprego.

Puxa... Essa palavrinha já faz tremer até os nervos de muita gente.

Assim como os derivados do leite são o queijo e o iogurte, os derivados do desemprego são exclusão e marginalização. E isso não é um problema só do Brasil, ou só dos países desenvolvidos. É algo em escala planetária, atinge a todos os países, em maior ou menor escala... Sendo que, realmente, no caso dos países pobres a situação é mais dramática. O capital vai quase todo para o pagamento de dívidas e juros acumulados ao longo do tempo, e os excluídos socialmente ficam mais abandonados ainda.

Vês, Flynn. Esse "querer mais" doentio só beneficia uma pequena parte da sociedade, e o restante que se vire. Já os prejuízos disso tudo são distribuídos democraticamente, e todos sofrem as conseqüências 

Toda essa questão do querer mais, meu caro, para entender você vai ter que ouvir uma história. Lá pelos idos do século XVIII... acho que foi por aí mesmo... surgiu o Iluminismo, que foi o responsável por introduzir uma nova maneira de ver as coisas. Uma das figuras mais importantes do movimento iluminista foi o filósofo e economista Adam Smith. Nunca ouviu falar dele?... Esquece.

Continuando, foi justamente esse cara quem inventou o que chamamos de liberalismo econômico, que foi a teoria que impulsionou, naquela época, o modelo econômico que nós temos hoje, o capitalismo. Um dos pricípios do liberalismo era a livre concorrência, mas a questão do querer mais acabou fazendo que essa concorrência fosse se tornando cada vez mais desleal, com a criação de monopólios e derivados deste.

Afinal, o que é mais vantajoso para a pessoa com esse nosso chamado "querer mais": muita gente querendo o mesmo que ela ou um domínio tranqüilo e solitário? Responda já, Flynn!

Parece até que estou te colocando contra a parede quando pergunto desse jeito... Okay, Flynn, não precisa me respender, até porque eu já sei a resposta! Hahaha! Bem... 

E é aí que a ética começa a desaparecer das relações econômicas! Justamente quando o indivíduo impulsionado pelo desejo de querer mais -mesmo já tendo muito- começa a usar sua força para acabar com seus concorrentes e dominar o mercado. E assim vai indo, até o sujeito não ter mais o que dominar... se é que esse limite existe, não acha, Flynn?

Aliás, bichano, foi da área econômica que esse problema resvalou para o campo social e daí para o político. E é por causa desse problema do "querer mais" que a nossa sociedade é chamada de sociedade de consumo.

Sociedade de consumo, isso mesmo. É uma sociedade onde os valores foram todos invertidos, onde o que importa é o que está por fora. Sim, as aparências, Flynn. Uma boa conduta e uma boa inteligência se tornaram coisas menos importantes do que as últimas novidades do mercado. E a sociedade do "ter", e o "querer mais" que eu tanto falei para você agora entra justamente aí.

E esse "ter" gera egoísmo no coração das pessoas, e acaba causando conflitos em busca de ter mais. É desenfreado o processo, já falei isso. E acaba a solidariedade e a preucupação com o bem comum, e era isso o que realmente deveria importar.

Ahn... Está me achando com cara de socialista, Flynn?... Bem, se é que o socialismo real foi para o espaço porque os dirigentes da antiga União Soviética ficaram tentando mostrar que eram mais poderosos do que os EUA, e acabaram usando o dinheiro, que era para ser distribuído igualitariamente entre todos, para melhorar a própria indústria bélica e aeroespacial. Viu, Flynn?... O "querer mais" é um problema sério, e bem tentador também...

Está bem, Flynn. Não é a toa que você está me olhando com essa cara de quem não entendeu nada, até porque eu usei muitos termos que você não conhecia. Também, isso é mais um assunto de domínio humano, Flynn, e não felino... Mas, bichano, foi bom eu ter te falando isso tudo, até porque -eu já falei- os prejuízos disso tudo atingem a todos. E você também está nessa lista, Flynn. De algum modo, você está.

Até que já estão propondo soluções, como uma maior valorização da educação e a questão do desenvolvimento sustentável, mas isso só vai dar certo quando nós, os humanos, tomarmos um pouco mais de consciência.

Bom... Se quiser ir agora, Flynn, pode ir. Você já me escutou demais mesmo...

Ah! A questão do lixo?... É que a sociedade de consumo, claro, consome demais mas também desperdiça muito, e é daí que vem o lixo... muita coisa que ainda poderia servir para alguma coisa mas que agora só está ocupando espaço nos rios... Por culpa da gente, Flynn...

By JuLiAnA HeLeNa 

Mandaram avisar...


Feito no Paint hehehe!

Meu Deus, é mesmo!... Como foi que esta cabeçinha aqui deixou algo tão importante assim passar em branco desse jeito?

Para quem não entendeu nada, a JuJu aqui explica: Como vocês podem ver na imagem acima, a Ino Yamanaka, que todos nós sabemos que é a personagem de desenho japonês favorita deste blog, bateu aqui na porta deste cantinho e ainda trouxe -quase- a turma toda do animê dela. Pra quê, então? Simplesmente porque 2008 é o ano em que se completam 100 anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses aqui no Brasil.

Incrível, parece até que eu estava anestesiada em relação à este acontecimento... A mídia estava falando disso o tempo todo, até aconteceu de uma escola de samba abordar o assunto no último carnaval, vários blogs deram atenção à isso e até o príncipe do Japão -qual é mesmo o nome dele?- veio para cá! E eu aqui, com a cara para cima...

Pode até ser que seja tarde demais, mas hoje vou tirar este tempinho para fazer um post dedicado aos nossos amigos descendentes de japoneses. Eles merecem. E já que a Ino está aqui, pode ser que ela tenha trazido alguma informação importante... Trouxe? Então, tá!


Feito no Paint, também.

Logicamente, essa história começa no momento em que a Princesa Isabel assinou a famosa Lei Áurea, aquela que aboliu a escravidão no Brasil, pelo menos na teoria. É de conhecimento geral que os ex-escravos não ficaram nas fazendas, eles debandaram, foram viver na cidade onde acreditavam que levariam uma vida melhor -e logo descobririam que não seria bem assim... Com falta de mão-de-obra nas lavouras cafeeiras, a solução foi atrair o imigrante, principalmente os vindos da Europa, onde a situação não estava lá muito tranqüila.

Só que a idéia de ganhar vida nova em terras brasileiras não estava seduzindo apenas os europeus. No outro lado do mundo, havia gente também com esta perspectiva. A princípio, a idéia de se trazer japoneses para trabalhar nos cafezais não era muito querida pelos governos do Brasil e do Japão, mas como este último estava passando por dificuldades econômicas na época, o caso foi repensado e fortaleceu-se uma campanha, que já existia desde o início da era Meiji, para encorajar o japonês a emigrar.

Até mesmo porque era quem mais precisava, o Estado de São Paulo foi o primeiro que se prontificou a receber os novos imigrantes. Tanto que o Japão mandou uma pessoa para lá, não para morar, mas sim para inspecionar as instalações das fazendas de café. E, pelo visto, não foram encontrados grandes problemas pois, um ano depois, foi assinado um acordo que visava o introdução de cerca de 3 mil imigrantes nos próximos 3 anos.

Então, eis que no finalzinho de abril de 1908, 786 pessoas, sendo elas 781 imigrantes e 5 intérpretes -ou estava pensando que eles sabiam falar português e nós, japonês?- embarcaram no Kasato-Maru e levaram cerca de dois meses para avistarem o porto de Santos, de onde partiriam para outros lugares onde pudessem arranjar trabalho e enriquecer.

Esses eram os planos dos japoneses: Chegar aqui, trabalhar bastante, ficar rico e, por fim, voltar para o Japão. É claro que a vida nos reserva alegrias e frustrações, pena é que, neste caso, a coisa pendeu mais para o lado da frustração. Eles logo perceberam que a vida nos cafezais não era tão boa quanto o que dizia a propaganda, e para conquistarem seus objetivos, saíram das fazendas e começaram a criar cooperativas próprias.

Outros, no entanto, continuaram com a vida nos campos de café e, quando o contrato com os fazendeiros expirou, decidiram criar seus próprios grupos agrícolas. Por isso é que áreas desocupadas do Estado de São Paulo e também do Paraná logo também foram usadas para a agricultura. E dos mais variados tipos. Um exemplo é o sucesso de uma cooperativa na cidade de Cotia, onde os japoneses produziam batatas e as escoavam para o mercado sem a interferência de intermediários.

Apesar de não ter funcionado direito no início, o movimento de entrada de imigrantes japoneses no Brasil continuou intenso. No início, os fazendeiros ligados ao café eram quem subsidiavam as passagens dos orientais. Depois esse papel seria passado à estatal japonesa Kaigai Kôgyô Kabushiki Kaisha, formada a partir da fusão de várias empresas particulares de apoio à emigração. O movimento era tanto que começaram a aparecer leis que limitavam a entrada.

Uma delas, uma emenda constitucional, consistia no seguinte: Apenas quantidade de imigrantes estrangeiros equivalente a 2% dos que já se acomodaram em terras brasileiras poderia entrar. A emenda acabou incorporada à Constituição de 34.

A situação ficaria ainda pior: estourou a Segunda Guerra Mundial. O japonês, antes muito bem-vindo, agora era visto como o inimigo dentro de casa, a mosca na sopa. Tornou-se proibido o ensino do idioma nipônico nas escolas, aliás, os japoneses nem podiam usar seu idioma nativo. E começam a surgir boatos de que o Japão está colocando espiões em diversos países, como forma de dominar, literalmente, o mundo. Por causa disso, muitos japoneses que aqui viviam foram presos, injustamente, sob suspeita de serem os tais espiões.

Por sorte, essa situação não durou para sempre. Em alguma hora a guerra havia de acabar, e acabou. Com o fim das rivalidades, a relação brasileiros-japoneses melhorou e, junto com ela, melhoraram as condições de vida dos chamados nikkeis, como eram chamados os imigrantes. Graças a novos acordos firmados entre Brasil e Japão, os japoneses residentes por aqui ganharam o direito à freqüentar escola. Os jornais em japonês voltaram, e até alguns imigrantes resolveram aventurar-se pela política.

E a vinda de outros imigrantes japoneses começou a surgir. Para estes, foi até mais fácil, já que o ponto de chegada foram justo as fazendas administradas pelo os que vieram anteriormente. Sem falar das facilidades que agora surgiam. O esforço pela educação -as próprias famílias de imigrantes faziam questão de que seus filhos fossem estudar- fez com que vários descendentes de japoneses ocupassem boas vagas em boas universidades daqui. Tiveram algumas famílias que abriram seu próprio negócio.

Com o tempo, e graças à ajuda recebida após a guerra, o Japão recuperou-se e, inclusive, conseguiu tornar-se um país de Primeiro Mundo, sendo que muitos produtos que consumimos saem de lá. Foi então que começou a acontecer o contrário... O Japão é quem começou a precisar de mão-de-obra para suas indústrias, e os japoneses que aqui vivem começaram a ver isso como uma chance de regressarem à pátria de origem.

Foi quando surgiram os dekasseguis, descendentes de japoneses que foram tentar a vida no Japão. Eles começaram a surgir a partir da década de 80, e daí não parou mais. Tanto que é no Japão onde está a terceira maior comunidade brasileira fora do Brasil, e maior parte dessa comunidade é formada por dekasseguis.

E quanto à comunidade japonesa no Brasil? Quem é que acha que é justo a nossa pátria amada quem abriga o maior contingente de japoneses fora do Japão? É verdade, minha gente. Quem acha que isso é de fato, verdadeiro, acertou. E olha que, antes de nós, ainda na época do Kasato-Maru, o Peru teve a oportunidade de abrigar imigrantes japoneses, mas lá não havia infra-estrutura para tanto e muitos dos que foram para lá fugiram para cá.

Saímos ganhando. Afinal, a milenar cultura japonesa é muito rica, e é bom provar um pouquinho dela. Alguém quer sushi?

Informações retiradas dos sites:

By JuLiAnA HeLeNa

P.S.: Acabei de descobrir o porquê de não ter sido o Garibaldo quem iria me avisar sobre essa minha nada pequena falha. Se lembram de que, na figura do alto, a Ino Yamanaka falou que era o Garibaldo quem me avisaria? Pois é. É que aquele pássaro amarelo gigante decidiu viajar... para o Japão!  

Festas julhinas

Prepare o seu coração/ pras coisas que eu vou contar/ eu venho lá do sertão/ eu venho lá do sertão/ eu venho lá do sertão/ e posso não lhe agradar (...)
Trecho da música "Disparada", de Geraldo Vandré.

Foi assim que a dança começou. Éramos nós em cima daquele palco representando o nordestino sofrido que passa tempões caminhando com uma trouxa no ombro e uma lata na cabeça. A recomendação dos professores para esta parte, repetida sem cansaço durante nossos ensaios, era que ficássemos o mais sério possível. Risadinha não condiz com a situação.

Mas, como eu já disse, seria só durante essa parte. O resto, no qual iríamos dançar efetivamente, tinha de ser alegre. Afinal, o que é uma dança sem ter a alegria? A nossa era logo a primeira a se apresentar, a chamada Dança de Abertura, que este ano respondia pelo nome "Forró Estilizado". E de fato era um forrozinho mesmo, bem a cara do Nordeste. E, pela primeira vez em todas as Aberturas de arraiá do meu colégio que eu já participei, apareceram meninos participando. Milagre.

A bem da verdade, lá na hora, estávamos mesmo doidos para entrar logo naquele bendito palco. E com razão: já estávamos há um bom tempo em posição na escada, começando a sentir calor e carregando aquelas peças de palha (ainda bem que não tinha nada dentro delas). Para mim, tinha uma coisa a mais, que era a questão do calçado. Fui avisada, quando já estava na concentração, por um dos meus colegas de dança que dançaríamos descalços! Olhei penalizada para os sapatinhos que eu estava usando, eles haviam sido meus fiéis companheiros na dança do ano anterior, que era sobre o Descobrimento do Brasil.

Já em posição, começei a pensar nos prós e contras de mandar chamar a minha mãe pelo microfone. Seria uma medida que daria um susto na mommy mas eu não confiava muito em deixar meus pertences nas mãos dos professores naquelas horas, depois eu conto o porquê. O jeito foi mesmo a última solução citada, até por insistência da coreógrafa. Deixei minha "coisinha de palha" com uma das colegas, tirei meu sapatinho e, quando fui entregá-lo para um responsável, senti um leve arranhão no meu braço... não sei o que havia lá que arranhou. Dei uma olhada, não vi nada, voltei para o meu lugar. Mas quando fui olhar de novo, lá estava o risco vermelho.

Ótimo, descalça e com um machucadinho no braço. Houve uma hora em que tivemos que mostrar nossa animação, e aí ficou difícil... Todo mundo pulando, e pisando na pedra eu não me sentia nem um pouco a vontade para fazer isso. Comigo foi no grito. Ainda bem que o palco não é feito de pedra, e lá pude ficar mais à vontade.

Graças a Deus, isso foi a única coisa ruim do dia. Lá em cima é tudo bom, inclusive pela satisfação de que a Dança de Abertura é sempre a melhor. Nos ensaios nós não tínhamos essa sensação, mas alí, na frente daquele povaréu, e comparando com os outros que virão, a história já é outra! De fato, fomos bastante aplaudidos no final.

Estar alí nunca é fácil, mesmo se tratando do Arraiá que o meu colégio promove todo ano no parque Potycabana. Se trata de um arraiá bem diferente dos outros que eu já vi, pois ainda não ouvi falar de outra instituição que prepare várias danças, cada uma com uma temática diferente, para serem apresentadas em cima de um palco. Claro que o tradicional não falta, há sim uma quadrilha maravilhosa -que nós por lá chamamos de "Quadrilhão"- e as barraquinhas de comidas típicas lá no fundo, separando a parte do parque que o colégio está usando da que não está sendo usada.

A Dança de Abertura e o Quadrilhão eram as únicas opções para as turmas da 5° série até o 3° ano. Eu não gosto de entrar no Quadrilhão por causa da questão do par, ter que convencer outra pessoa a entrar comigo é algo que considero trabalhoso. O hilário é que todos do Ensino Médio preferiram justo este, tanto que, na Abertura, todos eram do Ensino Fundamental -com exceção de mim, óbvio.

A temática "Nordeste" também é uma constante. Desde a minha 5° série, já dancei em duas aberturas que falam de sertão. E as outras, falavam do Brasil, em geral. Esses dois temas ficam se revezando nas aberturas, é a realidade. Tomei como referencial a 5° série pois já não me lembro claramente de todas que vieram antes. Eu participo desse arraiá desde o Ensino Infantil, acho até que desde quando eu entrei naquele colégio. Eu, inclusive, tenho ainda algumas parte da primeira roupa que usei para um arraiá desses. Era uma bem vermelhinha, com uma faixa e uma saia enormes.

Por conta desse arraiás, já tenho também uma roupa de cigana, uma de mãe-de-santo (só que azul-escuro), uma de mar (?!?!)... e essas são as do Ensino Infantil até a 4° série. Da quinta para a frente, tenho uma que... não sei como definir mais que é bem comprida e tem a temática "Brasil", um vestidinho vermelho de sertaneja alegre, uma de chefe da torcida brasileira (essa eu até aproveito para usar nos desfiles de 7 de setembro), uma de portuguesa viajante (a do ano passado) e, finalmente, a de forrozeira, que foi a que eu usei há dois dias atrás, no arraiá deste ano.

Pense numa roupa que demorou bastante para chegar em minhas mãos... Tirei as medidas para a costureira ainda no segundo ensaio, e me garantiram que receberia o resultado do esforço do estilista no dia do ensaio geral, que sempre é na véspera do grande dia. E a roupa? Nem sinal! Me disseram que eu deveria buscá-la no colégio às 10h do dia seguinte. Como eu não estava afim de voltar lá antes do dia 4 de agosto, meu pai poderia cuidar disso. E cuidou.

10 horas da manhã do dia 1° de julho de 2008. Adivinhem! De novo, nada! Disseram que iria chegar às duas da tarde. E chegou? Não apareceu nem um fiapo de linha sequer. Disseram então que iriam ligar para a gente quando a roupa aparecesse. Não acho que era culpa do colégio, aposto que o pessoal de lá também deveria estar doido com isso, até mais do que nós, que iríamos usar a roupa. Para espairecer, resolvi assistir o filme do ninja gordinho que passou na "Sessão da Tarde" daquele dia.

Sabem que nos filmes, quando há uma bomba, ela é desativada no último segundo, certo? Bem, eu já estava vestindo uma calça jeans com a perspectiva de que me trocaria só na hora quando... ela chegou, finalmente! Era uma blusinha e uma saia estampada, e de bônus uma flor amarela para prender no cabelo. Um docinho! Como a saia só ia até metade da coxa e na dança eu iria me mexer muito, usei um short curto por baixo para que na hora a calçinha não desse o ar da graça.

Pelo menos, os que participam do Quadrilhão não precisam andar com uma roupa só, confecçionada a mando do colégio, por poderem comprar roupas caipiras em qualquer lugar e a única exigência é que eles andem com roupas caipiras. Portanto, não precisam passar por esse tipo de suplício.


Bandeirolas coloridas no arraiá do meu colégio na Potycabana (o ocorrido no ano passado)


Óia eu aqui de novo, xaxando/ óia eu aqui de novo, para xaxar (...)
Trecho da música "Óia eu aqui de novo", de Luiz Gonzaga.

A idéia era que todas as meninas da dança fossem de cabelo solto e a flor de lado, mas o meu eu prendi e coloquei a coisa no alto da cabeça, mais ou menos no mesmo local de onde se partiria um rabo-de-cavalo alto. Mas não foi só eu que desafiou a "regra", encontrei até uma colega que usava quatro marias-chiquinhas, duas de cada lado da cabeça. E outra que não estava usando a flor.

Acho que foi o arraiá no qual eu cheguei mais cedo, tanto que deu tempo de eu e uma prima minha irmos nas barraquinhas e provarmos uns beijus com leite condensado. Minha prima? Ah, minha gente, desta vez eu tive a satisfação de levar mais alguém da minha família além das pessoas do círculo mais próximo. O chato da situação era ter de comer com extremo cuidado, pois eu tinha a permissão para sujar aquela roupa e de borrar a maquiagem só após dançar -regrinhas que invento para mim mesma.

O arraiá fora ótimo, como todos os anos. Meu colégio sabe como fazer essas coisas. Em um momento, até pensei em mandar um torpedo (havia uma barraca para mandar torpedinhos alí) para o noivo e para a noiva da festa, só para elogiar... pena é que, quando tive essa idéia, eu já estava no banco de um táxi, voltando para casa.

Mesmo lá sendo bom, só fiquei tempo suficiente de fazer o que eu tinha de fazer, comer mais alguma coisa, ver as duas ou três danças que vieram a seguir e receber alguns elogios. Eu nunca fico muito tempo: mamãe não quer que eu passe muito tempo fora à noite, e o jeito é acatar. Aquela festa deve ter varado a madrugada, é certo que as danças acabam antes da meia-noite mas, enquanto tiver gente, que a alegria continue. Isso é o que eu imagino, mas pode ser que eu esteja errada.

Depois de tal noite, fiquei até com certa pena ao tirar a roupa e desmanchar o penteado, já que mal deu tempo de eu me olhar no espelho antes de sair e não podia ficar muito tempo me exibindo na frente do mesmo após voltar. O corpo exigia uma roupa menos espalhafatosa e mais limpa, aquela dança me fez suar a valer. Sem falar do pobre do pé, estava preto de pó do chão o coitado. Ainda bem que essas coisas uma duchinha resolve.

O engraçado foi descobrir no mesmo dia as músicas que animaram a dança na qual eu participei. Eu ainda consegui tirar uma horinha para vir ao computador ver como andavam as coisas e passei no Google. A parte séria da dança, na qual representávamos o pobre povo nordestino, foi ao som de uma música de Geraldo Vandré, "Disparada", que eu inclusive agora ouço enquanto escrevo isto. Quando a parte alegre e animada da apresentação veio, a música foi trocada por uma instrumental, que de tanto estar no domínio público, eu não consegui saber seu nome. Mas essa música ainda daria lugar à "Óia eu aqui de novo", de Luiz Gonzaga e que eu nem sabia que foi ele quem fez.

Já está me dando certa saudade. Este é o meu penúltimo arraiá, quando falo de arraiás do meu colégio. É que no próximo ano farei o 3° ano e depois disso... vocês já sabem. Próximo ano será a despedida dessa minhas festas julhinas, já que elas são sempre marcadas para iniciozinho de julho, sempre. Mas para quê pensar nisso agora?

By JuLiAnA HeLeNa

Em balanço


Arranjei no blog http://cantodosgatos.blogspot.com. Corre, gatinho!

Meus caros, de vez em quando, as lojas fecham para fazerem um balanço: análise de como desempenharam seu papel durante certo período de tempo. Meu blog não é uma loja, embora seja como uma grande vitrine onde todos podem olhar o que mais lhe interessar. Mesmo não sendo uma loja, este cantinho também necessita fazer seus balanços. Não se preucupem, este balanço pode ser acompanhado de perto por quem quiser, é só chegar perto daqui da mesa. Afinal, vocês é quem realmente mandam.


Conselho redacional nº1: Escreva sempre frases curtas, que não ultrapassem duas ou três linhas, mas também não caia no oposto, escrevendo frases curtas demais. Seu texto pode ficar cansativo demais. Uma frase de boa extensão evita que você se perca. Seja objetivo.
...
Em termos de comprimento, não acho que exagero no tamanho das frases. Meu problema neste caso são os parágrafos, pois olhei meus últimos posts e sei que em alguns eles alcançaram tamanhos exagerados. Porém, isso é porque, reconheço, falo demais. Tenho acessos de verborragia às vezes quando faço algo que exija uso de letras. E nem sempre tenho muito o que falar.

Conselho redacional n°2: Não escreva um texto "manchado", cheio de travessões, aspas, exclamações, interrogações...
...
Nossa... nem sabia que isso era problema. Em trechos da maioria dos posts daqui, a "poluição visual" é presente, e olha que eu sempre fui afeiçoada com um ponto de esclamação alí, um travessão acolá... Mas talvez isso ocorra porque aqui é como se eu conversasse com o leitor, e, como tal, proucuro demonstrar estados de espírito através da pontuação, principalmente. Sem falar dos "hahaha"s e "hehehe"s que estão ficando muito recorrentes por aqui. Estes eu preciso cortar.

Conselho redacional n°3: Emprego exaustivo de gerúndio, além de constituir um recurso estilístico inadequado, o gerúndio promove ambigüidade e defeitos de conexão, caso não seja usado com propriedade.
...
Calma aí! Aqui ninguém precisa fazer do jeito que fizeram no Distrito Federal, já que eu proucuro empregar o gerúndio da melhor maneira possível, sem exagerar. Até quando se fala, o gerúndio fica insuportável se repetido demais.

Conselho redacional n°4: Escreva com simplicidade. Não empregue palavras complicadas ou supostamente bonitas. Escrever bem não é escrever difícil. O vocabulário deve se adequar ao tipo de texto que pretendemos redigir. No nosso caso (os conselhos que vocês estão lendo foram retirados de um encarte de redação), só trabalhamos com a linguagem padrão, aquela que a norma culta exige quando queremos tratar de algum problema de grande interesse para leitores de um bom nível cultural. Dela deverão ser afastados erros gramaticais, ortográficos, termos chulos, gíria, que não condizem com a boa linguagem.
...
Como já fora dito anteriormente, eu proucuro escrever como se estivesse conversando com o leitor, portanto, pra quê palavras complicadas? E apesar de, por este hábito, haver um certo grau de informalidade nos posts, sempre tomei cuidado com a minha escrita. Chega até a ser deprimente para mim errar alguma palavra... Pontuação? Proucuro ser mais impecável ainda. Sou uma pessoa que sente prazer em escrever, e não há nada mais prazeroso do que escrever bem.

Conselho redacional n°5: O emprego indiscriminado de adjetivos pode prejudicar as melhores idéias. Pra quê dizer "um vendaval catastrófico destruiu Itu" quando vendaval já trás implícita a idéia de catástrofe? Outro mau uso do adjetivo ocorre quando empregado imtempestivamente, como se o autor quisesse "embelezar" o texto. O que ele consegue, no mínimo, é confundir o leitor.
...
Eu já falei que quando vem-me a verborragia, os parágrafos ficam um tanto longos e sem tanta necessidade. O resultado é que, definitivamente, sou uma escritora prolixa, e talvez, em algum recanto de minha publicações, eu tenha exagerado nos adjetivos. Apesar disso, eu pretendo não me prender muito à descrições -estas é que me exigem os muitos adjetivos- e assim melhorar a qualidade do que eu escrevo.

Conselho redacional n°6: Evite palavras, frases, expressões ou construções vulgares. A renovação da linguagem deve ser preucupação constante de quem escreve. Não há boa idéia que sobreviva nem texto cheio de lugares-comuns.
...
Às vezes, um chavão sempre dá um jeitinho de aparecer, mas usá-los sempre é realmente inadimissível. Parece até que você não tem idéias próprias!  

Conselho redacional n°7: Entre duas palavras, escolha a mais simples. Por que dizer "auscultar" ao invés de "sondar"? "Obstância" e não "impecilho"? Evite também duas ou mais palavras quando uma é capaz de substituí-las.
...
Este é até um conselho que, de certa forma, está inserido no n°4, o que fala sobre escrever com simplicidade. Se escolho sempre a mais simples, acho que não é toda vez que faço. Porém, eu constantemente proucuro utilizar sinônimos caso precise expressar mais de uma vez a mesma idéia no mesmo parágrafo, o que evita que eu cometa repetições.

Conselho redacional n°8: Não use "etc." sem nenhum critério. Trata-se da abreviatura da expressão latina "et cetera", que significa "e as demais coisas". Só devemos usá-la quando os termos que ela substitui são facilmente recuperáveis.
...
Não me lembro de quando fora a última vez que eu usei um "etc." num post, acho que não é muito meu costume. Mas valeu a dica.


Não dá para ser uma escritora perfeita, pois, se desse, também daria para tirar sempre 10 em Gramática e em Redação. Erros sempre existirão, mas quem escreve dará o melhor de si para ver seus textos ficarem o mais perfeitos possível. Talvez sejam os erros parte do que ajuda a definiar a marca própria de quem empunhou a caneta, ou alisou as letricas e numerozitos de um teclado de computador.

Digo parte, a construção da marca própria inclui muito mais coisas do que se pode imaginar.

Nem sempre respeito todas as regras ortográficas e gramaticais que os livros exigem que eu respeite, ora por criatividade, ora por ignorância. No entanto, isso não dá vontade de chutar longe este blog e deixá-lo. O que me dá é a crença de que farei melhor daqui a uma semana, quando um novo post será devidamente elaborado e publicado.

Reconheço que gasto horas preciosas ao escrever um único post -talvez porque, enquanto isso, eu também gaste tempo visitando os blogs amigos. O tempo dos texticos escritos em 5 minutos se foi há muito tempo. Quando termino, já estou cansada de tanto teclar e com os olhos saturados da tela brilhosa. Para completar, às vezes contemplo a obra e acho que não me saí bem. Gastei tempo num computador só para escrever "essa coisa aí"! Fazer o quê, se o artista nunca se contenta com sua obra, pois na cabeça dele ela é carregada de perfeição.

Perfeição esta que ele se vê incapaz de transmitir para a realidade.

Queria que o My Cat_blog tivesse sido melhor. Queria ter falado mais de gatos, já que a proposta é essa. Queria ter contado mais histórias. Queria ter postado coisas que eu queria postar mas que ainda não encontraram uma data vaga. Queria falar mais de política. Queria mostrar mais que sou, sim, uma pessoa preucupada com o mundo que me cerca e não apenas com o próximo episódio da Vila Sésamo. Queria ter escrito o que me vai na alma, desabafar para a blogosfera de vez em quando...

Queria ter feito um bocado de coisas por aqui, mas, apesar de acontecer tudo aquilo que eu disse que acontece quando termino um post, eu não me arrependo de nada que eu tenha escrito aqui. Absolutamente nada.

Não prevejo data de morte para este blog, e nem sequer de férias. Ora, como poderei ignorar um hobby? Eu gosto de falar do Garibaldo e da Ino Yamanaka. Eu gosto de colocar o meu gato Flynn estrelando algumas histórias. Eu gosto de contar trechos de minha trajetória no mundo, especialmente os mais interessantes. Eu gosto quando alguém chega aqui e comenta bacana. Eu gosto de responder quando comentam. Eu gosto inventar com letras. Eu gosto de fazer maluquices com palavras.

Não é a toa que, hoje, neste explêndido 29 de junho de 2008, me sinto alegre em constatar que o My Cat_blog acaba de completar 2 anos de alegrias e tristezas, de letras e desenhos, de uma magnífica existência.


Parabéns pra você /Nesta data querida /Muitas felicidades /Muitos anos de vida

Crescendo foi ganhando espaço /Pulou do meu braço /Nasceu outro dia e já quer ir pro chão /Já fala mãe, já fala pai /Já não suja na cama /Não quer mais chupeta /Já come feijão /E posso até ver os meus traços nos primeiros traços /Tropeça e seguro e não deixo cair /Se cai, levanta, continua (...)
Trecho da música "Cria", cantada por Maria Rita.

Logicamente, o My Cat_blog não vai se contentar em estar apenas 2 anos respirando na blogosfera. O artista é sempre insatisfeito, não? Então, que no próximo ano, complete 3, e depois 4, e mais depois 5, e indo até o máximo que este cantinho e eu agüentarmos. Se em 2 anos este blog já produziu pérolas até, como os posts "Entrevistando a Porca" e "O 'causo' da pêra", imagine nos anos que virão. Sabe-se lá qual serão as próximas idéias da senhorita de nome JuLiAnA HeLeNa, que é quem escreve aqui toda vez.

Então, meus caros, depois de tanto balanço de blog, cheguem mais perto e vamos partir logo esse blog. Ei, sem pressa! Todo mundo vai ter o seu!... Oh, minha gente, sem vocês eu acho que nem conseguiria fazer este blog alcançar 2 anos de idade... Ajuda aqui com o refrigerante, Flynn!...

By JuLiAnA HeLeNa

Bijou



Quatro fotos de um mesmo artefato indígena.

Não preciso refletir sobre estes meus ainda ralos 15 anos de vida que eu já gastei para perceber que o que eu mais tenho feito é escrever. E não foram apenas coisas que os professores colocavam no quadro, vocês sabem disso.

Vocês conhecem a história. Primeiro começou com as historinhas que eu fazia sem interrupção na minha era pimpolhesca, depois vieram os diários, os fanfics da Vila Sésamo e este blog. Talvez essa minha mania não esteja ligada exatamente ao manuseio de papel e caneta, pois antes mesmo de que transcrever um conto com letras eu o fazia com desenhos. O meu trunfo é apenas uma mente que não se cansa de ser criativa, e que usa a escrita como instrumento para extravazar-se e concretizar-se.

Não é a toa que escrever, seguido das cantorias, é tudo que eu mais amo na vida. Inclusive já pensei em publicar livros, e continuo pensando em publicar livros... Bem, no entanto não estou no momento mais adequado para isso. Quero primeiro terminar o Ensino Médio e só aí posso pensar em colocar um conjunto de folhas devidamente encapado nas prateleiras das livrarias.

Falando em livros, nessa semana apareceu-me uma idéia. Uma idéia boa para se publicar. É essa idéia que está me fazendo escrever isto agora. Quero guardá-la aqui com muito carinho e submetê-la ao julgamento dos que comentarem. Assim, quem sabe, quando eu já estiver na universidade cursando Jornalismo, eu comece a trabalhá-la melhor e levá-la às mãos de vocês.

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No processo de colonização do Brasil, várias tribos indígenas foram desrespeitadas e sufocadas até chegarem à extinção, tanto que naquela época o número de índios em território brasileiro era muitíssimo superior ao de hoje. Os gentios se foram, mas uma dessas tribos teria sido aniquilada enquanto realizava um certo ritual... O resultado foi que as conseqüências desse ritual atingiram de tal forma todos os que estavam lá na hora que a herança dessa tribo se faria presente até a infinitude dos tempos.

O ritual mexia com espíritos mágicos, os bijous, que possuiam poderes especiais e que podiam influenciar na vida de todos os seres. No dia da invasão, os poderes dos bijous se ligaram à determinadas pessoas, tanto nativos quanto invasores, e a partir daí, de vez em quando uma pessoa é ligada a um bijou, de preferência na infância, situação que permaneceria até os dias de hoje. O bijou ficaria marcado no indivíduo por meio de uma, digamos, "tatuagem" no pulso, que seria uma palavra escrita na língua de extinta tribo que caracterizasse o poder que o sujeito adquiriu através de seu bijou.

Certo, vocês acabaram de conhecer a parte básica do enredo. Um prólogo, digamos. Agora, a história se partirá, literalmente, em duas. Sabem aquelas promoções do tipo "Pague 1 e leve 2"? Pois se vocês um dia encontrarem essa história em algum livro escrito por mim, vai ser exatamente como se você tivesse levado para casa dois livros com a mesma temática. Bacana a idéia, não?

Os dois enredos só se encontrariam no início, através de seus personagens principais. Daí para a frente, ambos tomarão rumos distintos, tendo assim dois finais diferentes. E funcionaria assim: após o capítulo inicial, o ponto de partida, o segundo dará início a um dos enredos, o terceiro iniciaria o outro enredo, e por estas vias a história seguia, em capítulos intercalados. Ambos se passariam nos dias de hoje.

Querem conhecer as duas tramas?

Primeiro, pensemos numa moça meio aloirada, de olhos verdíssimos feito duas grandes esmeraldas, extrovertida, sarcástica mas de bom coração. Não seria nada incrível ela possuir essas características, a não ser que levemos em conta que ela cresceu sofrendo rejeição por causa de seu bijou. Sim, ela possui um bijou, e por causa dele ela possui o poder de controlar a mente de outras pessoas, se ela quiser, é claro. O nome dessa garota é Andrea, e quando precisa ela conta com Kimi, sua amiga de infância, a única que a aceitou do jeito que é desde o início.

Andrea é uma pessoa que sempre teve curiosidade acerca dos bijous, até porque é possuidora de um. Depois de muita pesquisa (e com a Kimi ajudando sempre), ela chegou até a um artefato usado nos rituais de consulta à bijous -inclusive foi usado naquele em que ocorreu a invasão da tribo. Esse artefato está seguro nas mãos da família Velartte, grande pesquisadora de preciosidades.

Até aí, tudo bem. O problema é que algumas pessoas que estavam ajudando Andrea na pesquisa na verdade queriam pegar o tal artefato e sumir com ele. Após descobrir o planinho dos "colegas", Andrea e Kimi cortam relações com eles, via uma acalorada discussão. Mesmo assim, os safados arquitetam um plano para se safarem com o objeto... e alguém na casa dos Velartte fica sabendo que tem alguém maquinando tal coisa, e esse alguém é Valério Kurosaki, segurança da casa.

Por causa de Valério, Andrea fica sabendo do plano dos "colegas" e ela e Kimi resolvem que, no dia do roubo, arrumarão um jeito de tirarem o artefato das mãos dos ladrões e devolvê-lo aos Velartte. Porém, algo dá terrivelmente errado e a dupla de amigas é obrigada a fugirem com a coisa e, pior, levarem Valério como refém. Acontece que este, devido aos acontecimentos, passa a pensar que Andrea é a ladra e lhe invade a caminhoneta com o intuito de rendê-la, só que ele leva uma dose de clorofórmio da Kimi e, desacordado, nem precisa contar o resto.

E esse é o suplício da Andrea: ter que proteger o artefato dos que querem roubá-lo e fugir da polícia (A propósito, a delegada responsável pelo caso esconde um certo segredo que logo adquirirá importância no enredo). Sem falar de outra coisa: durante a fuga, Andrea encontra uma certa tatuagem no pulso de Valério... Pois é, nosso querido segurança é um bijou que pode manipular luzes, usando-as inclusive para cercar um oponente. Com o tempo, ela vai conquistando a confiança e a estima do sujeito, só que a coisa chega a um ponto que acaba se desenvolvendo algo mais entre eles. E agora?

Vamos agora ao segundo enredo.

Pensem agora num moço de pele pálida, com cabelos e olhos num castanho escuro, contrastante. Apesar de notável beleza física, ele é arrogante, orgulhoso e tem uma certa mania de superioridade, e por isso as pessoas acabam se afastando dele. É uma pessoa comum, não possui nenhum tipo de bijou e nem apresenta poder algum. Ele se chama Pablo e mora sozinho num confortável apartamento.

Porém, por mais que nos achemos melhores do que os outros, nós não estamos imunes às tragédias da vida. Um exemplo de tragédia do tipo seria se um amigo da família, que tem como hobby consertar coisas, colocasse um recipiente quase destampado contendo soda cáustica em cima de uma frágil prateleira de madeira. Eis que esse amigo é justamente amigo do Pablo, e num infeliz dia o aspirante a assistente técnico chama o nosso egocêntrico personagem para tomar um chá e bater um papo.

Eis então que o sujeito pede ao Pablo para pegar uma ferramenta deixada numa prateleira lá no quintal de trás. Era muito alta, Pablo subiu num banquinho e mesmo assim tinha que ficar na ponta dos pés para alcançar o objeto. O que acontece a seguir é terrível: a prateleira perde a sustentação e tudo nela cai, inclusive o recipiente com a soda cáustica. Pablo logo sente uma coisa arder-lhe insuportavelmente nos olhos, acaba se desquilibrando do banquinho e bate a cabeça no chão.

Só um bom tempo depois é que Pablo é socorrido e levado a um hospital, já que o amigo consertava um objeto enquanto escutava música alta (desse jeito não dá para ouvir nada que venha de fora) e até achou outra ferramenta com a mesma função da que Pablo iria buscar. Bem, apesar de ter sido forte a pancada na cabeça, ela não foi nada grave. O problema é que a soda cáustica atingira em cheio os olhos do moço, e, principalmente devido à demora no atendimento, o diagnóstico é devastador: Pablo perdera a visão e nunca mais poderá tornar a enxergar.

É claro que Pablo não vai engolir bem o fato de que se tornara uma pessoa portadora de deficiência, e no meio desse momento difícil a prima dele, uma garota chamada Renata, decide levá-lo para morar com ela. Detalhe: Renata é era uma pessoa rejeitada e humilhada por Pablo a toda hora por ser uma bijou. Pois é, é aqui que os bijous entram neste enredo! Conhecendo os poderes que aquela tatuagenzinha dá à sua prima, Pablo literalmente suplica-lhe que ela dê um jeito de ele ganhar o bijou e, quem sabe assim, recuperar a visão.

Tanta implicância deu certo. Um amigo da Renata, que também é um bijou e tem um conhecimento elevado acerca desse tipo de coisa (assim como a Andrea do outro enredo), se prontifica a ajudar. Depois de muitos "Você tem certeza?", ele duplica o bijou de Renata e, numa sofrida operação, o insere em Pablo. Mas valeu a pena, pois no outro dia, Pablo tira a venda que cobria-lhe os olhos e percebe que eles estão perfeitos, como se nada tivesse acontecido.

Como se trata de um bijou, Pablo não só teve a visão de volta como ainda se tornou capaz de enxergar coisas que uma pessoa normal não poderia enxergar. Já pensou se você tivesse a capacidade de ver os pensamentos e sentimentos das outras pessoas? Pois foi isso o que aconteceu! Só que o bijou trouxe também um grande problema: o caso de Pablo vazou e agora tem uma equipe de jornalistas inescrupulosos de olho nele, doidos para desvendarem o "milagre". Agora Pablo e sua prima têm que fazer o possível para manterem o segredo do bijou apenas entre eles.

E não é só isso. Pablo conhecerá uma moça de nome Isabella, sendo que ela tem um grande problema -mas não sabe- e o garoto é quem vai ajudá-la. Qual é o problema? A minha mente criativa ainda não decidiu qual vai ser, mas terei tempo para isso.

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Pronto, aí está, para o deleite de vocês. Só recomendo que cuidem bem dessa história, afinal voltarei para buscá-la... esperem e verão.

By JuLiAnA HeLeNa  

Mil imagens


Meu gato Flynn, naturalmente, tinha que ajudar naquilo tudo, mesmo sem saber direito o que fazer. Porém -que frustrante- agora só teria que ficar olhando e esperando o momento chegar. Ficou sentado no meio da rua vendo um gato rajado, que estava com um recém-ganho semblante de azedume, se afastar.

- Ué?

- Você não viu? -dirigindo-se a outro bichano.

- Que é isso, Flynn? Pelo menos agora você só ficou com o melhor da história!... Oh... Pela primeira vez, uma transmissão televisiva feita com todo o carinho para gato assistir.

Grande hipérbole! O que aconteceria seria apenas a estréia de uma novela nova, uma televisão seria colocada no terreno da esquina e a gataria da rua poderia assistir ao primeiro capítulo. Na verdade, isso deveria ter acontecido na semana passada, quando terminara a novela anterior. O último capítulo de um folhetim sempre é mais interessante do que o primeiro, e isso não é novidade para nenhuma alma deste mundo.

- Que horas você acha que são? -quis saber o outro.

- Mas como é que eu vou saber? Só se eu for lá dentro conferir...

- Pois vai!

Flynn estava mesmo precisando de uma desculpa para sair alí do meio da rua. Em casa, meu gato sempre se sentiu melhor, especialmente naquela hora da noite, quando seu estômago precisava ser forrado novamente.

Da cozinha, deu para Flynn escutar um pouco do palavriado que saía do mimozinho que há poucos dias havia sido colocado na sala. Resolveram trocar a televisão que queimou logo por uma de plasma... Mas meu gato nem sabia disso, embora ele já tivesse reparado na enorme "caixa" que se encontrava no chão e encostada no sofá.

Quando começou a se ouvir o jingle "daquele jornal", Flynn resolveu sair de novo. Não havia melhor indicativo de hora do que aquele jingle tocando. Aliás... a hora! Minha nossa, aquele gato vai reclamar de tanta demora só para trazer uma simples informação... com certeza!

- Você é um lerdo, branquelim!

E reclamou mesmo.

Lá dentro de um certo terreno baldio murado...

- Então é essa a televisão? -perguntou um gato- Isso aí é miúdo demais!

- Mas você acha que gatos têm condição de trazer uma televisão maior? -a voz vinha de cima do muro- Só para trazer esta está dando um trabalho imenso!

- Ai, eu não vou agüentar! -outra voz vinda de cima do muro.

Um dos gatos da rua havia conseguido a tevê na casa vizinha do terreno, o que de certa forma foi até um fato que facilitou a ação. Porém, havia ainda um outro problema: o muro. Subir carregando aquela coisa já é uma tarefa digna de um super-herói, descer, então, era pior ainda. Se simplesmente encarregassem a força da gravidade de levar a televisão para baixo, certamente a coisa iria se espatifar bonito. E quem é que consegue assistir um programa se o que se tem são apenas o que um dia foi uma tevê?

- Alguém aí trouxe uma almofada? -gritaram de lá de cima.

Foi nessa hora que o Flynn entrou no terreno baldio.

- Vá buscar uma almofada ou qualquer coisa fofa, rápido! -assim que deu de cara com Flynn, um gato simplesmente disse isso e pôs o meu bichano para fora.

Que lindo! Mal entrou e já está fora novamente!

- Ei! Mas meus donos não me deixam entrar na sala! -gritou Flynn- Como é que eu vou fazer iss...

- Eu vou lá pegar. Sei aonde tem. -era um rajadinho que logo seguiu correndo para uma casa lá no fim da rua.

Outros gatos também saíram atrás de alguma coisa fofa. Flynn aproveitou para entrar -desta vez, com sucesso- no terreno e vislumbrou a situação. Uma tevê mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos suspensa no alto de um muro de tijolos graças aos esforços insanos que uma dupla de gatos fazia. E parecia que tanto trabalho não seria suficiente por muito tempo: ou as almofadas chegavam logo ou tchau e benção.

E por sorte não tardaram! Logo apareceu até um gato que veio carregando um ursão de pelúcia.

- Vou soltar! -avisou um dos gatos que sustentavam a tevê- É já!

1, 2, 3... e no 4 já estava imersa no meio de tantas almofadas. Como um período de menos de um segundo pôde ser tão tenso? Imediatamente, ajeitaram a pequena, colocaram-na na velha tomada e torceram para a imagem pegar. Pegou. Pessimamente, mas pegou.

- Ouvi uma pessoa lá na parada de ônibus dizer que as televisões de há muito tempo atrás precisavam de bombril para pegar. -comentou alguém

"Coitadas... Bombril deve ralar bastante. Pias sofrem muito com isso, até onde eu saiba...", pensou Flynn enquanto, nada modesto, se ajeitou no urso de pelúcia.

Ainda estava passando "aquele jornal", mas já estava terminando. Nesse período, Flynn voltou para casa e se dirigiu à despensa -E eu querendo comer sardinhas no jantar... Flynn, você me paga...

- Quem quer? -Flynn já entrou gritando.

Claro que aquele gato branco com uma lata de sardinhas na pata queria fazer média, e aquela era situação perfeita. Ele só não contava que logo apareceu um bichaninho mirradinho trazendo um tijelão de pipocas. E gato come pipoca?

Pipoca com sardinha. E a novela nova já começava. Era a das oito, uma tal de "A Favorita". E já se desenvolvia entre os gatos uma cena comum entre os humanos: os olhinhos fixos na tela como se houvesse um hipnotizador alí. E o silêncio... os únicos que falavam eram os personagens da novela. 

Eram os únicos...

- Cadê o controle? -alguém gritou- Bota lá de novo!

Algum gato alí naquele terreno estava com a posse do controle remoto e inventou de mudar de canal. Pura curiosidade, apenas. Mas como a curiosidade, se não mata o gato, ao menos provoca-lhe danos, o engraçadinho só ganhou uma patada bem entre as orelhas.

Tudo tranqüilo? Ainda não...

- Aumenta a freqüência disso! -gritou um gato alaranjado lá atrás

Todos os gatos olharam para trás, num movimento que parecia até coreografado, e voltaram a olhar para a tela. No momento, passava a abertura da novela, e aquelas sombras e cores praticamente encantaram os gatos. E aquele tango! Até Flynn havia de concordar.

Quando começou a propaganda, de novo.

- Aumenta a freqüência!

De novo o movimento. Flynn apenas olhou os outros. A propaganda também encantava os felinos... a ponto de todos vaiarem uma que era de ração para cachorros. E depois que todos se acalmaram...

- Aumenta a freqüência dessa coisa! -de novo o alaranjado.

- Mas não tem como isso andar mais rápido! -acredite, foi o Flynn quem falou.

- Eu estou dizendo para aumentar a freqüência acústica!!!

- Aumentar o volume?

- É!

O alaranjado acabou pior do que o curioso. Muitas patadas depois, a novela voltou e o clima sem miaus também tomou conta. E ficou assim até a novela acabar.

Não houve consenso. Alguns gatos gostaram e outros não... alguns até pediram que a televisão voltasse no dia seguinte, mas não podia apostar-se muito nisso. No momento em que todos batiam palmas pelo o que acabaram de assistir, Flynn olhou para os lados e se viu na terra crua! Tinha se remexido tanto pelos fatos mostrados que o urso acabou ficando para trás! Incrível o efeito de uma novela.

- Me diga! O que achou? -um bichano abordou Flynn.

- Mais ou menos... Tem partes que é um pouco difícil de entender.

- Agora vai começar tudo de novo...

"Ahn?!", e Flynn só entendeu o que o outro queria dizer quando olhou para trás e viu os mesmos dois gatos do muro empurrando a televisão, agora desligada, em direção à face tijolada. A coisa não podia ficar alí a noite toda, esperando que alguém a encontre. Já pensou se chove...

Depois de tamanha sessão cinema, só restou ao Flynn voltar para casa, ficar de pernas para o ar e pensar em tudo que viu vindo daquele treco quadrado, a televisão. Ô, trequinho influente! Viu como os gatos ficaram? Se existem duas coisas que influenciam incrivelmente a massa, essas coisas atendem pelos nomes de televisão e computador, sendo que quem começou foi a essa primeira. Ela, a vulga caixa das mil imagens.

By JuLiAnA HeLeNa


P.S.: Leiam e comentem também o post abaixo, que ele ainda está quentinho, saído do forno.