Me lembro que, na última vez que eu fiz um post estilo "dois em um", alguém comentou dizendo que queria ver quando minhas férias acabassem, imaginando que eu já não teria condições para fazer postagens assim até os próximos 30 dias livres. Pois bem, acho que esse alguém vai se surpreender com as próximas linhas...
E mais: Hoje, os dois assuntos a serem tratados aqui (mudanças no vestibular e implantação da ALCA) são sérios!
o0o0o0... A NOVA ROUPA DO JUIZ
- Pai, o senhor acha que eu devo tentar o ENEM?
- Deve! Até porque...
- O MEC, né?
- Pois é.
Acho que foi mais ou menos assim a conversa que tivemos quando o supermercado já estava próximo. Meu pai tinha acabado de me buscar no colégio e eu iria comprar pão, queijo e refrigerante (basicamente) para o meu irmão levar para a aula. E no caminho julguei conveniente perguntar sobre a questão de eu fazer o ENEM. Era uma coisa que eu já estava piscando na minha cabeça desde que iniciei o 3º ano, mas que com os últimos acontecimentos...
Não sei porque raios eu não acompanhei direito a discussão sobre a aprovação (ou reprovação) das mudanças no vestibular, quando dei por mim, um colega meu lá do B trouxe a última "Veja" lançada e a matéria principal era justamente sobre o que iria acontecer com a famosa prova a partir deste ano.
Uns dois dias depois, uma cópia da reportagem aparecia pregada em um dos murais do meu colégio. Foi nessa hora que aproveitei para dar uma melhor olhada, visto que com a revista, por ela não ser minha e também porque não pegaria bem eu ler algo do tipo durante as aulas, eu só poderia ler durante escassos 20 minutos de um dos intervalos -no outro, por ser que o dono já a tenha emprestado a outra pessoa. Eram 5 folhas preenchidas pelo assunto e, visto que o assunto é de meu interesse e eu gosto de ler, vocês sabem.
A intenção da mudança, pelo o que dizia a reportagem, é diminuir a quantidade massacrante de conteúdo repassado para o Ensino Médio e, consequentemente, dar mais espaço para que o estudante possa fazer um estudo mais aprofundado do conteúdo. Inclusive, colocaram o exemplo do s = so + vt, que eles chamaram de "sorvete" mas que eu conheço como "sentado sozinho vendo televisão": era impressionante como os alunos decoravam essa fórmula e quase nenhum sabia demonstrá-la, ou seja, saber como ela é feita e quais são suas bases.
- Está explicando tudo aí. -foi o professor de Química III que passou por trás de mim enquanto eu estava lendo, e resolveu fazer um comentário. Pelo jeito que ele falou, pareceu me um incentivo a continuar na frente daquele mural olhando a reportagem, não que eu estivesse com vontade de sair dalí.
Pelo visto, o inchaço de assunto é generalizado. Nossa professora de Biologia I deu alguns exemplo desse ocorrido, só que dentro da matéria dela. Disse que não há necessidade de sabermos as sub-fases da meiose (ou foi algo assim) e que não precisa a gente levar um semestre inteiro apenas para estudar Genética. Isso é coisa para os que vão cursar a matéria na universidade. Parece que temos de aprender detalhes demais.
Realmente, seria uma boa ideia diminiuir a quantidade de assunto, é o aprofundamento que me preucupa. A ideia de mudar o vestibular só foi aprovada agora, os professores ainda não estão preparados para isso. Além dele, e nós, estudantes de Ensino Médio? Acham que eu gravei as contas que existem por trás da, por exemplo, equação de Torricelli? Bem, pode ser que desta eu não tenha gravado, mas a do Potencial Elétrico acho que... mais ou menos. Ah, não sou boa em Física mesmo...
No entanto, embora já haja um meio mundo de faculdades dispostas a implantar o novo sistema, não creio que a UFPI vá fazer isso agora. Ué, porque a UFPI? Os leitores que já me acompanham, no mínimo, uns cinco meses já sabem que estou prestando vestibular para essa univesidade há dois anos, via aquele sistema de três etapas do PSIU. Meu palpite é que a Federal do Piauí só esteja totalmente dentro a partir de 2012, até porque tem de se respeitar os que estão fazendo o PSIU agora, principalmente os alunos de 1º ano, que vão entrar agora no esquema das etapas.
De qualquer forma, a UFPI só vai se pronunciar sobre o assunto na próxima quarta-feira (dia 22).
Caso eu tente o ENEM, terei de me apresentar lá pelo início de outubro para fazer a prova. E o motivo a mais que ganhei para fazê-lo foi o fato de que se alguém tem que ser o novo vestibular, esse alguém é ele. Aliás, o próprio Exame Nacional do Ensino Médio sofrerá algumas modificações para atender à sua nova missão. Os que farão o teste, receberão (após tê-lo feito, obviamente) um boletim com o desempenho alcançado na avaliação. Se esse desempenho for bom, o estudante tem o direito de exibí-lo à faculdade de sua escolha, sem falar que é um resultado que vale por três anos.
Fala-se até que deverão ocorrer sete ENEMs por ano, para que todos que queiram tentar ir para uma universidade tenham a chance de tentar. Por hora, só terá um mesmo, o que vai ser em outubro.
Bem, o que eu posso dizer? Entendo as mudanças, até porque realmente haviam problemas e esse sistema, novo para nós, já é companheiro de muito tempo de outros países. Só acho que tem que haver um brechinha para que nessa prova sejam contemplados os aspectos regionais de cada região, mas isso veremos... Quanto a mim, parece que a minha geração vai ser a última a ver nosso juiz ainda com a roupa velha.
E o costume de chamar o s = so + vt de "sentado sozinho vendo televisão" deve estar entrando em coma, você já devem imaginar o porquê.
o0o0o0... ETERNA COLÔNIA?
Meu professor de Geografia do Brasil disse que a ALCA era inevitável.
Bem, a aula era sobre os blocos econômicos da América Latina e lá pelo término do assunto, a ALCA sempre fica no final talvez por ser um bloco meio inexistente ainda, ele disse que ela era inevitável. Não porque ele quisesse, mas porque, em 2002, o então presidente fez com que todos os candidatos ao seu cargo assinassem um documento, concordando com a implantação do bloco.
Apenas escutei, prestei atenção no que restava da aula, e quando tocou o sinal, peguei minha mochila e fui para o pátio esperar meu pai chegar. Nesse inteirím, fiquei pensando porque que certas coisas tinham que acontece e controlando vontades sanguinárias em relação aos que inventaram que o Brasil tinha que estar na ALCA.
De vez em quando, eu olhava os carros que transitavam na avenida. Um carro dito popular chega a custar até 60 mil ou mais. Com a ALCA, tomando a definição simplista de que um bloco econômico é uma região de livre comércio entre seus participantes, esse preço poderia cair até para uns 15 mil. É... nunca veríamos tantos produtos importados nas prateleiras de nossas lojas. E como adoramos importados! Também ficaria fácil viajar para a Disney, imagino.
Os que apoiam a ALCA sempre tocam nesse ponto. Magníficas vantagens, admito. Seriam alguns anos ótimos para enchermos as sacolinhas.
Alguns anos? Sim. Justamente porque amamos importados. E de tanto amarmos os importados, vamos deixar de comprar vários produtos nacionais. Sem lucros, nossas empresas vão quebrar, e demitir gente. Serão agora menos pessoas a comprar e menos lucro para outras empresas. E continua a quebradeira. O Brasil acabaria entrando em crise.
Até que nós não terminaríamos assim se, assim como seus produtos entrariam facilmente aqui, os nossos também conseguissem ocupar espaço nas prateleiras norte-americanas. Bem, ocupar até que eles conseguem, mas entre ocupar e ir para a casa de algum consumidor, já são outros quinhentos. Uma pessoa dos Estados Unidos entende que, ao comprar um produto estrangeiro, estaria contribuindo para que um compatriota seu fique sem emprego. Se é assim, melhor não comprar.
É um tipo de protecionismo. Como diz meu professor, não o ilegal, mas o imoral. *por algum motivo, me lembrei agora há pouco do caso do aço... os EUA disseram que não iam mais comprar aço de fora e outros líderes mundiais chiaram...ah, isso é outra história*
Mas, se a ALCA é inevitável, porque não estamos sofrendo as consequencias dela agora? Por que ela continua inexistente? Tudo bem, eu sei o porque de tudo isso. Sou uma apaixonada por política e tirou boas notas em Geografia, seja do Brasil ou do mundo, claro que eu sei o porque. Mas espere... a mochila está pesada demais... melhor colocá-la no banquinho... esses livros!
Enquanto isso, dentro de uma caixinha cor-de-rosa que está enfurnada no meu armário, uma cheia de imagens da gatinha Marie, descansam minha carteira de identidade, uns cartões para o vestibular, meu título de eleitor e um comprovante de que eu votei em 2008. E o penúltimo aí da lista vai ser muito útil...
O Brasil vem empurrando com a barriga a ALCA. Até o dia em que for empossado o próximo presidente liberal, e então, de uma canetada só, que venha o novo bloco. E esse cara já pode estar governando daqui a um ano e alguns meses, 2010 é o ano que vem, não? E de pensar que meu título pode ajudar a empurrar a ALCA por mais algum tempo... Pena que eu não sou nenhuma Mulher-Maravilha. Não depende só de mim.
Além do título, ainda bem que há o Mercosul. Não que ele aguente quando já estiver atuando a ALCA. Ela e o Mercosul são realidades excludentes. O propósito é um Mercosul forte, para impedir ao máximo que o novo bloco venha a vigorar. Aliás, sabe porque alguém teve a ideia de que deveria existir a ALCA? É que o Mercosul estava dando certo. E continua estando, apesar de alguns problemas.
Porém, parece um tanto utópico que nosso bloquinho aqui da América do Sul ganhe uma força descomunal até o fim de 2010. Daria tempo? Pelo menos, o Mercosul poderia manter-se com a força que já tem... err... embolou o pensamento aqui...
Acho que é porque já estou no banco de trás do carro do papai e pensando em outras coisas. Não é muito saudável pensar em coisas que você não gostaria que existissem, mas aí paro num aspecto... as multinacionais. E se cobrássemos das multinacionais uma taxa de seus lucros para podermos, com ela, investir em nossas coisas? Tudo bem, isso está parecendo uma súbita mudança de assunto, mas num contexto sobre ALCA, EUA... porque não perguntar?
Foi o meu outro professor de Geografia, o de Geografia Geral, que respondeu noutra aula. Se impusermos essas taxas às empresas estrangeiras, elas irão fugir daqui e proucurar outro lugar. E nos precisamos dessas empresas aqui, por qual motivo eu não sei explicar, talvez porque simplesmente é o jeito, já que elas são tão poderosas a ponto de influirem substancialmente na política de vários países.
O capitalismo dividiu o mundo em exploradores e explorados, e se há uma solução, é dançar conforme a música. Isso foi me dito pelo professor de Geografia Geral e, no dia seguinte, pelo o de História Geral quando ele fazia um comentário sobre a Heloísa Helena. E, voltando à primeira frase deste parágrafo, o Brasil está no segundo grupo.
Me dá coceira a ideia de que, de um jeito ou de outro, parece que seremos sempre colônia das nações mais poderosas. Parece-me pessimista, e eu nem gosto de pessimismo, prefiro realismo. E a ALCA é o pior de tudo. Bem, melhor esquecer enquanto estou no banco confortável do carro e pensar só no carpe diem, no "o momento é já". E, já que estou levando tarefa de Geografia para casa, tem um texto em uma das páginas que fala do Bric, o conjunto das quatro economias emergentes que vão sacudir o mundo nas próximas décadas. O "B" é de Brasil. Uma luz no fim do túnel?
Me entendam, gente. É que eu sou preucupada com meu país.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
Naquele dia nublado e pesado, o funcionário público levou um tiro. Estava correndo no meio da confusão que se formara frente ao seu local de trabalho quando ouviu o estrondo e sentiu a dor penetrar fundo no corpo e na alma. Olhou o ferimento: acertou o lado direito do peito, um tanto longe do coração, mas do qual o pulmão não escapou. De fato, a respiração do sujeito começou a ficar doída, difícil.
Não foi bala perdida. Transcorria uma manifestação às portas da estatal, e todas aquelas pessoas queriam as cabeças dos diretores daquela empresa. Devem tê-lo confundido com um, já que estava usando terno e gravata... Puxa, logo quando resolveu trabalhar de terno e gravata... era tão chique! E só uma ideia veio à cabeça daquele homem ferido: sair dalí antes que -pior!- pule uma multidão em cima dele disposta a linchá-lo.
Tirando forças sabe se lá de onde, o funcionário público conseguiu correr um pouco até um beco próximo, e de lá arrastou-se, apalpando a parede, até aonde a rua não mais poderia enxergá-lo. Era uma faixa acimentada entre uma construção de três andares e uma casa antiga. Lá, o funcionário público permitiu-se cair, de modo a ficar sentado, com as costas apoiadas na fria superfície lugubremente pintada e o sangue a escorrer pelo terno impecável, razão de ele ser vítima.
Após olhar o pouco de sangue que seus dedos colheram ao passar pela ferida, o funcionário público revirou os olhos, apenas pelo próprio sofrimento, e nesse revirar ele fitou por um mísero segundo o beco, à sua direita, e viu uma rápida forma de mulher tocar a parede e voltar. E ele voltou a olhar para lá de novo, mas não viu nada. Seria só uma impressão dele, a visão? Ele tentou se ajeitar, para olhar melhor o beco, mas a dor da bala em seu peito não deixou.
Sua mente fora rápida em gravar o vulto que passara alí. Ela era magra, sua saia era de um tecido leve e fino, que parecia se desmanchar no ar a qualquer momento, seus cabelos também leves e soltos. E se ela chamara-lhe tanto a atenção é que suas características lembravam muito alguém que residia escondida nos sonhos do funcionário público. E de há muito, quando ele nem era um funcionário público.
Uns 20 ou 25 anos atrás, o funcionário público era só um estudante de cabelos empapados de gel. Não fazia bem o tipo que toda garota desejaria ter ao lado, mas parecia que elas gostavam dele mesmo assim. E ficava se perguntando o que ele tinha de tão atraente. Mas ele não deixou por menos. Aproveitou. Beijou todas as bocas possíveis, conheceu todos os gostos que elas tinham. Haja mel, canela, cereja e chocolate que possa substituir os lábios de uma amada!
Só que ele não se agradava delas, elas pareciam sempre serem... feias. Não que realmente fossem: a Luísa tinha um belo rosto, a Carolina tinha curvas que pareciam obra de Michelangelo, não havia na escola fios de cabelo mais belos e sedosos do que os da Mariana. Mas isso não era suficiente, e por isso ele não queria nem a elas e nem as outras garotas nas quais ele punha os olhos. Na verdade, elas não eram o bastante para merecê-lo.
Ele tinha como fazer uma comparação, pois conhecia uma garota que era muito mais do que todas aquelas e do que todas que houvessem no mundo. Ela era única, um anjo enviado à Terra, a que realmente tinha de ser amada. A sua princesa.
E o funcionário público viu de novo o vulto aparecer, tocar a parede e ir embora.
Ela era a princesa que frequentemente aparecia em seus sonhos, após um dia inteiro pregado aos livros. Era sempre a mocinha que tinha a pele mais branca que já vira em toda vida, mais branca que a pétala do jasmim, e nesse branco todo se destacava seu vestido azul e esvoaçante. Era estranho esse vestido: ao contrário que os convencionais das princesas, a saia só ia até metade das canelas da musa, mostrando a meia de casimira rosada que mal cobria a brancura daquelas pernas.
O sonho sempre começava com eles de mãos dadas, naquele jeitinho de que parece que vão começar uma dança... os braços caídos e as mãos elevadas até a altura da cabeça. Tal momento tinha um quê de especial: ele entregava um anel, ou uma joia qualquer, um amuleto para a moça. O objeto encontrava-se entre as mãos de ambos, escondido. Aliás, a posição das mãos era justamente para que ninguém no salão desconfiasse do que estava sendo passado entre o humilde vassalo e sua senhora.
Um salão... Com essa conjuntura toda parecia realmente que iriam dançar, se bem que ninguém dançava alí naquela hora. Todo mundo corria desesperado para qualquer canto, e logo a moça começava a correr também, soltando das mãos do amado, levando o objeto e sumindo entre a multidão. Quanto a ele, coitado, teria de esperar ela vencer todos os obstáculos que apareceriam na frente dela para que pudessem, enfim, ficarem juntos quando tudo acabar.
E não havia nada mais chato do que esperá-la. Por que não lhe davam uma espada, uma capa e um escudo para que pudesse ajudar a princesa? Por que ele tinha que esperar? Enquanto isso, ele, na sua realidade, tinha que se contentar com as bocas das feias e com os esquecimento que os livros e a música lhe proporcionavam.
A música, bem, nem tanto. Ele tinha aulas de violino duas vezes por semana -embora não tenham lhe servido para nada no futuro- e desde que o som de um desse apareceu no sonho, ele passou a associar o instrumento com a moça. Isso até que funcionou como motivação para continuar melhorando o trato com aquelas cordas, mas só o fazia por causa dela -sua razão de viver.
O vulto voltou. Repetiu o mesmo movimento e foi embora. Estranhamente, o funcionário público começou a sentir a dor da respiração diminuir, e até mais energia penetrar-lhe o corpo, embora a bala o mantesse onde estava.
A amada não era frágil nas atitudes como outras moças ditas ideais, só aparentava ser. Ela era uma guerreira. Em sonho, ele via os tormentos pelos quais ela passava. Eram debandadas de criaturas monstruosas, portas que queriam mantê-la aprisionada e escadas que se invertiam. Sem falar dos que lhe queriam o sangue. Ser valente era uma característica que ele valorizava muito nas pessoas desde quando se dava por gente, e lógico que sua querida tinha que ser assim, ou senão ela seria só mais uma feia no mundo.
Ela era sua ferinha delicada, que, terminado todo o suplício, corria para uma região de lagos, de grama verde e árvores frondosas, de calor aconchegante e céu tão azul quanto o vestido dela. Na verdade, ela brotava do lago mais cristalino daquela região. Ele ficava esperando em uma casinha alí perto, para depois irem juntos para um reino de maravilhas muito maiores do que aquele lugar. E o sonho acabava aí.
O ferimento deu uma pontada. O funcionário público, amargo, lembrou que sempre chegava a vê-la toda molhada correndo em sua direção e já imaginava-se erguendo-a nos braços. Mas era justo nesse momento que ele voltava para seu quarto desarrumado, para aquela janela de vidro quebrado que ninguém nunca se lembrou de consertar, para o jornal que sempre noticiava a mais nova falcatrua de algum poderoso. Era uma droga! Por que a realidade não podia ser como seus sonhos? E por que ela tinha que estar nos sonhos?
O jeito foi comandar sua vida onde podia comandá-la, na vida real. Estudou até não poder mais, se desencantou com o violino, entrou em uma boa faculdade, se formou. Como estava difícil arrumar emprego, prestou concurso e, assim, acabou funcionário público. Só não deixou de sonhar, embora estivesse mais ocupado em matar os leões que encontrava todo dia do que em ficar esperando alguém. E estava bem, obrigado.
Pelo menos, estava até levar aquele tiro. E -olha!- ela apareceu de novo no beco.
Para a surpresa do funcionário público, desta vez ela não se mandou após tocar a parede. Ela olhou para o lado e começou a fitar o homem caído alí. Ele, por sua vez, só ficava na mesma posição e olhando também. E ela começou a andar na direção dele.
Nessa hora, o funcionário público quase não sentia como se tivesse sido atingido por um tiro. Que fraqueza? Que dor ao respirar? Só o sangue banhando do negrume do terno e a ferida aberta continuavam alí para lembrá-lo do que aconteceu. E a moça continuava vindo, e a medida que ela se aproximava ele começava a distinguir-lhe o vestido azul, saia até as canelas, aquele sorriso, aquela pele branca. Era ela, sua princesa, que finalmente passara por todas as provas e que vinha ao seu encontro, para viverem juntos! Ele sorriu sem poder acreditar. Ofegou. E não é que ela foi mesmo até ele e abaixou-se, e tocou-lhe no rosto? Era ela!
Foi a vez de o funcionário público tocar no rosto dela. E a pele dela não era só branca, era macia! Como queria sentir aquela pele... E a amada não mudou nada desde quando ele era estudante. A mesma garotinha bonita daquela época... Ele até ficou envergonhado, pois agora estava mais velho e já começando a perder cabelo. Pior, ferido ainda. É que a princesa tocou no ferimento da bala e sujou os alvos dedos de sangue. Não era justo, nada podia macular aquela beleza.
O funcionário público estava tão intretido com aquela situação que nem tinha notado que os céus se abriram, e a tudo banhava aquele mesmo sol daquele lugar cheio de lagos. Ele só pensava em uma coisa: beijá-la. Parece que ela também. Já estavam aproximando os rostos. Incrivelmente, só agora ele parou para pensar no quanto aqueles lábios eram atraentes. E eram realmente muito melhores do que os de todas as garotas do mundo... muito mais doces.
Eles se beijaram. Até que enfim! O funcionário público tinha a certeza de que esse seria o primeiro de muitos. Nada poderia impedir que eles fossem felizes para sempre a partir de agora. Nada. Nada! Agora a preucupação maior era prolongar aquele beijo o máximo possível...
...numa ambulância, o eletrocardiograma só fazia aquele barulho irritante e contínuo. Ah, se fosse só isso.
- Perdemos o paciente. -o enfermeiro falou, desanimado, enquanto olhava para o rosto calmo e pálido do homem de terno e gravata que jazia inerte na maca.
O funcionário público estava morto. Provavelmente, o nome dele iria aparecer no próximo plantão jornalístico.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
Numa aula de Química Orgância ocorrida no dia do aniversário do Gári, minha sala começou a aprender as nomenclaturas do vasto leque de substâncias inclusas nesse ramo.
Bem, daí que aconteceu uma coincidência. No caso dos hidrocarbonetos (substâncias compostas apenas por carbono e hidrogênio), os que possuem apenas ligações simples entre seus átomos levam a terminação "ano". Já os que tem uma ligação dupla, "eno". E os que tem uma ligação tripla... "ino".
Por acaso, "ino" não lhes lembra alguém?
By JuLiAnA HeLeNa
"A Última Ceia", de Leonardo da Vinci.
Meus caros... No post anterior, vocês preferiram falar do meu gosto por política do que sobre a historinha que eu tinha criado, não foi?... Puxa... Ah, mas tudo bem! Post passado é post passado e este post aqui é novo, então, bola pra frente!
Sei que a Semana Santa só começa a partir de amanhã -domingo 5 de abril é Domingo de Ramos- mas acho que, nesta minha vida, tudo relacionado às datas pascais resolveu bater na minha porta uma semana antes. Na verdade, foi culpa do meu colégio, que decidiu exibir a sua versão da "Paixão de Cristo" nesta última sexta-feira, e que também dispensou o alunado no dia seguinte. Ou seja, não tivemos aula hoje.
Motivo do "feriado"? É que foi organizado um retiro espiritual para os professores e funcionários. Só para eles, até porque, para os alunos, já foram feitos retiros demais. Foi justo, eles mereciam tal momento.
Porém, também há a minha parte. Desde que eles apareceram nos supermercados e outros estabelecimentos de comércio, eu já comprei quatro ovos de Páscoa! Foram quatro mesmo! É que, é sério, acho muito. Foram um da Turma da Páscoa Qualitá, um de Sonho de Valsa, um do Naruto (ganhei uma bandana igual a da Ino! E possivelmente falarei desse ovo no próximo post!) e um do bombom Batom, que vinha com uma caneca de brinde do lado de fora do ovinho. E por causa dessa quantidade comprada, até tirei o meu nome de um "Ovo Secreto" que meus colegas de sala vão realizar. Já pensou... um quinto ovo?
Bem, saindo dos ovos e voltando para a "Paixão de Cristo" feita no meu colégio, eu decidi participar do espetáculo desta vez. Como assim? Você nunca participou, JuJu? É, nunca estive no elenco. Preferia a platéia. Não que ela fosse muito confortável: os melhores lugares sempre ficam para as crianças das séries menores e para os convidados. Os alunos mais grandinhos ficam lá pelo fim da rua.
Não sei se já lhes contei isso, mas o meu colégio é dividido em dois prédios, e entre eles tem uma rua de paralelepípedos. É nessa rua onde todo ano o colégio exibe a "Paixão de Cristo". Quando falo em "fim da rua", é o ponto mais longe da avenida, quase na esquina com uma outra rua calçada com paralelepípedos. E lá não tem nenhuma arvorezinha, nem mesmo um cajueirozinho para dar sombra. Entenderam porquê estes são os piores lugares? No ano passado, até tive de trazer um guarda-sol para me sentir mais confortável.
Pois bem, saí daquele lugar para o meio do espetáculo! Primeiro porque eu veria a "Paixão" sob outra perspectiva. Segundo porque este é o meu último ano de estudos naquele colégio, e quando disse que o aproveitaria ao máximo, não falei só dos livros, e aí está.
Também tinha um terceiro porquê, mas que não pesou muito na minha decisão de participar até devido a eu só ficar sabendo depois de me increver: os alunos que participassem tirariam nota máxima na prova de Ensino Religioso, por já estarem realizando um prática evangelizadora. Uma nota a menos para se preucupar, não?
Já havia feito um bom tempo que a lista de inscrição estava à nossa disposição quando eu fui me inscrever. Para minha surpresa, a tal lista era um calhamaço composto por várias outras listas, cada uma delas correspondente a um personagem da peça (Ex.: lista do Jesus, lista da Maria, lista do Pôncio Pilatos...). Meio que indecisa, coloquei meu nome na lista correspondente à personagem Salomé e fiquei esperando as chamadas para os ensaios.
Foi uma espera problemática. Daí comecei a suspeitar que os ensaios já estavam ocorrendo e que não estavam me chamando. E, de fato, era assim que estava acontecendo... Parece que os responsáveis pela peça decidem quem serão os personagens (são vários nomes dispostos a encarnar determinados papéis) em reunião fechada. E os que não são escolhidos ficam apenas como figurantes.
Em suma, foi o que aconteceu comigo...
Bem, mas eu entendo eles. Afinal, era a minha primeira participação na "Paixão de Cristo" e eles não sabiam se eu tinha algum potencial ou não. Não verdade, sempre me menosprezei como atriz, só por causa de umas falas que não decorei num teatrinho lá da época do Ensino Fundamental Menor, mas acho que não sou tão ruim assim.
Um pouco menos de uma semana antes do espetáculo, finalmente me chamaram para um ensaio. Era um ensaio só para acertar alguns detalhes da peça. E foi nesse ensaio que eu descobri a parte ruim de ser atriz...ops!...figurante. Para começar, cada participante da peça tinha sua hora de aparecer, e enquanto isso não acontecia, ficávamos escondidos no prédio II (lembram que o meu colégio é dividido em dois prédios?). Só se dava para ver o que se passava lá fora através de umas frestas da porta, sem falar que faltava espaço (eu não era a única a querer assistir) e que não dava para ver tudo...
E, na hora de ensaiar a cena, o pior era a monotonia. Os figurantes apareciam desde a entrada de Jesus em Jerusalém até a hora de sua morte. Imaginem como era ficar esse tempo todo sem nenhuma fala na peça, ficar parada por longos períodos ou caminhar lentamente, e ainda por cima com a impressão de que era a única figurante a levar o ensaio a sério -os outros figurantes eram, em sua maioria, crianças... e que não paravam de brincar de alguma coisa. Pensei até em sair da "Paixão": me sentia mais útil dentro da sala de aula.
E falando em sala de aula, tinham as aulas que eu perdia por causa dos ensaios, né!
Warning!: Não sei o que aconteceu, mas este post não ia até o parágrafo acima e vocês sabem disso. A verdade é que metade do texto, simplesmente, desapareceu. Desculpem-me o incômodo.
By JuLiAnA HeLeNa
Quando aconteceu de dois gostos meus -política e histórias- se unirem...
Que eu gosto de política, acho que vocês já sabem. Foi um gosto que começou nas eleições de 2006 e por causa dele acompanho fielmente os jornais além de -uma extravagância- não gostar de perder nenhuma das propagandas partidárias que passam toda quinta-feira no intervalo do Jornal Nacional. Sim, eu assisto mesmo. Assim como assisto também aos programas eleitorais... mas isso já é de antes...
E, é claro, entre a mais nova viagem do presidente noticiada e a mais nova diretoria a ser encontrada no Senado, gosto de planear uma historinha, um enredozinho. Ah, sim, disso tenho certeza de que vocês já sabem. E esta mente aqui não para! Ela até anda mais rápido do que a minha mão, quando vou escrever alguma delas.
E quando os dois gostos se juntam? Sim, sim, já aconteceu, mas apesar de ter bolado tantas, nunca escrevi alguma história cujo protagonista fosse algum de nossos políticos. Bem, para falar a verdade, estou mentindo ao dizer isso porque eu JÁ escrevi uma! É, meus caros! Montei o enredo, passei para o papel e aí está!
Acho que não faria mal se eu contasse para vocês a história dessa história. Hum... história dessa história... gostei da expressão.
Aconteceu no calor das eleições do ano passado. Se eu já gostava de política, imaginem minha animação até porque, na época, iria votar pela primeira vez... Aí é que procurei não perder um programinha sequer -e fiquei com veias na testa quando descobri que os que passavam de tarde não eram os mesmos que passavam à noite: nem sempre conseguia assistir os primeiros- além de dormir tarde algumas noites porque queria ver os debates. E eu os vi, claro.
Foi nesse contexto que a minha imaginação começou a maquinar a tal historinha, mas, por incrível que pareça, não foi sobre nenhum dos oito candidatos que queriam a vaga de prefeito de Teresina. E olha que eu teria muitos motivos para fazer um enredo com eles, primeiro porque apesar de a eleição daqui ter sido morna, eles renderiam. E segundo porque eu praticamente os via todos os dias! Uma overdose!
Só que existe a globalização, meus caros. Nos jornais locais, sempre havia um espaço dedicado às eleições que ocorriam em outras cidades brasileiras, principalmente as do interior daqui do Piauí e as das principais capitais brasileiras. E, destas últimas, as redes de tevê aberta falavam o tempo inteiro. Afinal, Teresina não é o único lugar do mundo que existe.
Muitas vezes, na política (e na vida em geral também) acontece não de você escolher as pessoas, mas de as pessoas escolherem você. E quando me dei conta, percebi que estava desenvolvendo um movimentado enredo em que os protagonistas eram os três principais candidatos à prefeitura de... São Paulo!
Eu não falei que minha imaginação andava mais rápida do que minha mão, e também anda mais rápido do que minha própria percepção, pelo visto...
Não pretendo contar a tal história aqui, mas vou passar-lhes uns detalhes. No caso, inventei uma realidade paralela, ou seja, os personagens não são o que são na nossa realidade, mas são outras coisas, entendem? Já a cidade não mudou nada: é a mesma São Paulo de sempre, com sua Av. Paulista, seu monte de carros e seus prédios... Bem, e o enredo?
É o seguinte: Temos uma grande empresa, e ela está fazendo um sucesso estupendo em sua área e despertando a inveja da concorrência. E uma das concorrentes resolve contratar um serviço de espionagem para sabotar o bem-sucedido empreendimento. O tal serviço passa a missão para dois de seus espiões, que nem sempre se entendem. Mais tarde, a empresa acaba sabendo dos espiões e começa a jogar pesado. Agora encaixe os três candidatos em questão (lembrem-se: como temos uma realidade paralela, esses candidatos não são candidatos a coisa alguma e sequer são políticos) nessa confusão toda.
Não sei se na época andei assistindo muito a filmes de ação, mas que nessa história tem muito carro voando pelas ruas de São Paulo, ah se tem... É serio, aquelas perseguições mais loucas do mundo, alguns carros batendo em alguma coisa que aparecia na frente e até girando no ar, sem falar da velocidade. Mas não tem tiro, isso não!
E como uma boa história não é feita só automóveis em disparada, temos também documentos misteriosos, senhas dos mais variados tipos e muitos valores em real, ou dólar, ou euro, escondidos em cofres. E sem se esquecer da arte do disfarce. Olha a filosofia: "Um bom disface não é apenas colocar uma roupa diferente. Implica também em mudanças no comportamento e nas atitudes.". Sim, isso está na história. Se bem que nossos polícos provavelmente seguem essa pequena mensagem à risca.
Um enredo tão elétrico assim na certa não ficaria quieto na minha cabeça. Então, o jeito é fazer como se faz com os passarinhos: abrir a portinhola da gaiola. Ou seja, escrever. No entanto, eu não estava muito com vontade de fazer linhas num monte de folhas de papel sufite ou de gastar um caderno. Foi aí que tive uma ideia.
Selecionei uma folha das do meu fichário e coloquei no alto, em letras de forma, o título "Cineleições 2008". Resolvi fazer uma resenha crítica de um filme que tinha acabado de estrear nos cinemas, sendo que o filme é a história que eu tinha inventado. Coloquei opiniões de pessoas que assistiram, de críticos e até citei um outro filme no qual, este sim, envolvia os candidatos daqui. Depois passei a limpo em outra folha.
Não sei porquê, mas decidi dar a minha resenha para alguém. O escolhido foi o meu professor de Redação. Não sei se foi uma ideia boa ou ruim, porque ele gostou tanto da resenha que escreveu-lhe o título no quadro e leu para toda a turma. E meus colegas também gostaram. De resto, vocês já devem ter imaginado como ficou minha cara, mesmo eu já sendo meio experiente quando a lidar com o público.
Meu professor até propôs colocar o texto no mural do colégio, mas eu e meu pudor quanto à historinhas de políticos não permitiu. Decerto guardou a resenha após isso, talvez eu pergunte na próxima aula dele -ele ainda é meu professor de Redação- o que ele fez com aquele papel.
Me esqueci de falar: Quando eu fiz a resenha, a história ganhou um título bem sugestivo, "O Plano C". "O Plano C" porque nossos anseios, inveja do sucesso alheio e o medo do fracasso nos embotam as ideias te tal forma que acabamos elaborando planos um após o outro nessa empreitada inglória. Esse é o cerne da história, é o que move os personagens e o que faz com que eles se colidam (que nem dois carros numa batida) literalmente.
E de pensar que foi mais uma de minhas histórias de políticos... Minha nossa.
Nada disso, meus caros! Eu não vou contar o final! Porém, para a coisa não ficar tão chata assim, adianto que um dos personagens, e só este, consegue ter um final feliz. Ah, e a empresa faliu, tá?
By JuLiAnA HeLeNa
Eu nunca desconsiderei um 20 de março, pelo menos desde que conheci a Vila Sésamo. Também, sendo 20 de março o aniversário do Garibaldo... No úlitmo 20 de março, o deste ano, fiz questão de ver o meu passarinho favorito onde quer que eu pudesse encontrá-lo, inclusive aqui na net. Aliás, eu deveria ter escrito no dia 20 de março isto que escrevo agora, mas o tal dia caiu numa sexta... e nesse dia eu estou trabalhando...
Quem gosta, faz o que está ao alcançe pelo o que gosta. Faço questão de comemorar o niver do Garí e de imaginar que na Vila Sésamo devem estar festejando demais a data. Aqui neste cantinho, já até coloquei uma foto que é, digamos, uma legítima declaração de amor a este gentil pássaro. Desta vez, resolvi aproveitar um escrito meu, que encontrei, num dia desses, no meio do monte de papéis que guardo na gaveta.
Eu tinha destacado duas folhas de um caderno que tinha não sei para quê, e escrevi de caneta preta, azul e vermelha os fatos de um certo dia 5 de maio de 2006. Acho que, na época, eu sentia falta de um diário (não é a toa que criei este blog quase um mês depois), e por isso decidi fazer o relato. E Garibaldo? Bem, apenas um marcante personagem da narrativa.
Aquela época em que eu era bem mais apaixonada por Vila Sésamo do que hoje.
Garibaldo, em seu ninho, lendo.
(Um "Oi!" escrito no cantinho da folha, só para testar a caneta, e a data num canto ao lado)
"Repito a data: 05/05/06. Por extenso: dia cinco de maio de dois mil e seis (2006). Esse é um dia que não quero ter trabalho para lembrar, por isso estou anotando tudo isso.
Com respeito ao meu gosto pela Vila Sésamo, as coisas não estavam muito tranqüilas. Apesar de eu detestá-los, aqueles dois (o Beto e o Ênio) andavam perseguindo a minha 'casa mental' nos últimos meses. Coitado do meu pobre Garibaldo! O monte de figuras dele que estava pregadas no meu armário praticamente perderam sua razão de ser, já que eu estava dando mais bola para o restante da turminha. Também, a prioridade em gostos neste mês de maio é Sandy e Júnior. Tô doidinha para ter o novo CD deles.
A manhã desse dia 5 nem merece ser lembrada, mas vou botar assim mesmo. Um dia letivo nada bom por causa de um povo "conversador" até demais. Devo também ressaltar que esse maio não estava favorável a mim. Enjoei do 'Elmopalooza' e não me sentia no direito de pedir outro DVD da V.S. à minha mãe assim que fizesse sua viagem à Brasília. Motivo: A Matemática (especialmente a fatoração) me pregou uma peça na prova passada.
Eu adoro o VideoGame, aquele quadro de jogos comandado pela Angélica no VideoShow. E nessa semana, os jogadores foram quatro astros da temporada atual de Malhação! (...) eu acompanhei o com o pessoal de Malhação, sem perder nenhum lance.
E foi por isso que eu vi o que vi nesse dia 5 de maio (...).
A prova decisiva do jogo era o 'Túnel do Tempo', em que primeiro tinham que acertar uma pergunta de 2006 para irem aos anos 2006 e assim, a cada pergunta certa, os jogadores regrediam uma década até chegar aos anos 70, onde se acertassem a pergunta, saíam do túnel e garantiam belos pontos para garantir a vitória.
E foi justo esses anos 70 do túnel que (...) aconteceu. Me lembro da penúltima pergunta, que com certeza daria a vitória à equipe adversária, se eles não tivessem errado: Queria se saber quanto valiam as notas de cruzeiro presentes na abertura da novela 'Pecado Capital'. (...) Dinheiro (ou será pontos) na mão é vendaval mesmo, hein.
Mas se não fosse esse vendaval, a última pergunta não seria feita, certo? Sim, a pergunta que traria a vitória à outra equipe e iluminaria esse 5 de maio. Angélica enrolou: 'Em um programa infantil...'
Programa infantil... Anos 70... Com isso, o primeiro programa com essas características que me veio à cabeça foi a Vila Sésamo (Brasileira, é claro). Mas podia também ser o Sítio do Picapau Amarelo. Só tive certeza de que se tratava da Vila Sésamo quando a Angélica fez a pergunta inteira.
'Em um programa infantil, que animal era o Garibaldo?'
Não me lembro das alternativas, e de imediato nem prestei atenção no que o representante da equipe campeã respondeu. Eu bradava: 'É um pássaro! É um pássaro!'. Só parei quando vi o meu querido passarinho na tela, sentado numa mesa, cantarolando... Tudo isso numa imagem em preto-e-branco que durou um pouco mais de 5 segundos. Bom, eu já havia visto várias imagens de um Gári azul, mas naquela ele estava tão bem que parecia que eu via o Gári amarelo, o dos EUA, da qual eu gosto.
Eu só notei que a equipe que respondeu a pergunta venceu quando vi seu representante sair do túnel. (...)
Tá que isso foi um acontecimento bobo, mas já foi o suficiente para trazer um brilho descomunal a esse 5 de maio. Também, Garibaldo estava meio de lado e agora voltava com uma força avassaladora. Fiz minha tarefa radiante e, por incrível que pareça, superconcentrada.
A lição de casa foi rápida. Por isso, quando minha mãe convidou-me para ir ao supermercado com ela, aceitei. Lá no Comercial Carvalho, o destino aprontou outra: Eu estava na seção de cereais (como o arroz) quando dei-me conta de que no rádio passava a música 'Nada é por acaso', de Sandy e Júnior. Claro que eu me lembrei da dupla de cantores, mas lá vinha Garibaldo atacar de novo. (...)
Já no Pão de Açúcar, assim que apanhei o último carrinho vazio, comecei a voar nas asas do Garibaldo. Bom, eu voltei a terra firme quando sem querer esbarrei no carrinho de uma moça, mas, mesmo assim, eu já estava voando novamente. Seguia a mamãe como um autômato. Só pousei definitivamente na hora em que eu tinha que escolher os iogurtes.
Com exceção da enorme fila do supermercado (nunca tinha pego fila tão grande!), o resto do dia passou normalmente. Na hora de dormir, como de praxe, apertei o botão da minha caixinha de música (é um Garibaldinho de brinquedo) dizendo 'Pode cantar, Garibaldo!', como sempre. Porém, no fim, bati palmas e disse 'Você canta muito bem!', coisa que nunca tinha feito antes. Acho que foi pelo o que aconteceu no dia e não pela música, sendo que essa eu já nem ouço mais por escutá-la todas as noites.
Sonhei nessa noite. Eu estava na minha sala de aula mas só havia uma carteira e nela estava uma mochila onde havia um clarinte: Eu sabia tocar clarinete no sonho. Antes (ou será depois) de estar no colégio, eu estava numa loja (ou será uma locadora) onde havia dois filmes da Vila Sésamo -o protagonista era o Garibaldo!"
OBS.: Desculpe-me por possíveis erros de português, possíveis desobediências à reforma ortografica e por outras coisitas mais. É que eu gosto de transcrever os textos na íntegra e, bem, atualmente eu escrevo melhor do que em 2006.
By JuLiAnA HeLeNa
Tadinho, né?
Flynn era um bom gato. E como todo bom gato, era honesto, trabalhador, competente e não miava de modo a irritar algum possível vizinho humano. Mas também gostava de uns bons banhos de sol e de procurar alguma fêmea bonita da sua espécie quando olhava a rua. Ora, Flynn há tempos estava em idade de ter namorada, não?
Ele era um gato branco que levava uma vida comum de felino em uma casa tão branca quanto si próprio na zona leste de Teresina. E cuidava muito bem da casa, afinal... era onde vivia, e gatos são animais muito higiênicos. Varria e passava o pano no chão toda manhã, fazia a própria comida, limpava sua caixinha de areia frequentemente e colocava o lixo para fora nos dias certos.
Um desses dias de pôr o lixo para fora foi na última sexta-feira, que era 13. Mas Flynn não estava nem aí se era 13 ou não. Melhor dizendo, estava, pois era 13 de março e nesse dia se comemora mais um aniversário da Batalha do Jenipapo, aquela que os camponeses armados de pau e pedra foram enfrentar as bem preparadas tropas do português Fidié para que o grito de independência gritado nas margens do Ipiranga valesse para o Piauí também. E comemorar isso era muito melhor...
Só que Flynn acabou se lembrando que aquela era uma sexta-feira 13 da pior forma possível. É que tinha um mal-encarado conhecedor da rotina das espécies que vivem no habitát daquela rua, e o sujeito já tava espreitando o porta do Flynn já há um bom tempo. Não sabemos se o sujeito era humano, se era um gato também, se era um cachorro, se era uma marmota, se era uma lombriga... só se sabe que, quando o Flynn abriu a porta, o cara pulou na frente dele e foi logo sem rodeios:
- Isto é um assalto!
Pobre Flynn. Quando viu aquela pistola muito bem apontada para ele -porque, nessas horas, a vítima só vê a pistola, e não o ladrão- só fez levantar as patas dianteiras para cima e largou o saco de lixo. O ladrão foi entrando, sem abaixar a arma, já tinha o coitado do bichano sob seu domínio. Flynn andou até o sofá, sentou-se. O salafrário e sua temível pistola não se afastavam dele.
- Cadê?
- Está aqui! Pode levar tudo o que quiser!
Flynn não poderia responder outra coisa, até porque os manuais dizem que o melhor é não reagir na hora e deixar o meliante levar o que bem entendesse. Chega a ser uma regrinha meio... meio... meio irônica, já que tudo o que se tem de material foi conquistado com muito suor por gatos, humanos e outras espécies honestas, trabalhadoras, competentes. Então, chega um desses salafrários e leva tudo. Que coisa.
Se bem que tem a questão da vida. Melhor o desgraçado levar todas as suas coisas do que alojar uma bala em algum de seus centros vitais. Sei, sei, sei.
O bandido remexia tudo o que encontrava na sala, e a pistola sempre apontada para o Flynn. A propósito, era ora o olho no Flynn, ora na bagunça que estava fazendo. E o gato só encolhidinho no sofá, e que se encolheu ainda mais quando o ladrão chegou para ele:
- Cadê??? -e agarrou o Flynn, tirando-o do sofá e o empurrando em seguida- Vamos procurar lá dentro!
E o salafrário e o Flynn foram passando de cômodo em cômodo. Ele entrava, procurava e saía, e Flynn, temeroso, ia junto. Então, o gato notou que havia alguma coisa esquisita nessa tentativa de roubo: Na casa havia uma televisão de plasma de sabe-se lá quantas polegadas, um rádio que também não dava para se ignorar, DVD, um i-pod largado na mesinha de centro e um notebook em um dos quartos.
Que um gatinho branco como Flynn pudesse ter todas essas coisas, só seria estranho se ele vivesse na Idade Média, mas que um ladrão passou por todas essas coisas e não pegou nada... E o cara não era cego. Parecia que só tinha vindo alí para bagunçar a casa, e para estremecer os neurônios do Flynn, pelo visto.
E de volta ao corredor o sujeito perguntou de novo:
- Cadê?
- No cofre! Pode ir pegar!
Muito bem, aquele sujeito só pode estar atrás de jóias ou de dinheiro vivo, então. Eles foram até o cofre, o ladrão ameaçou o Flynn, e o Flynn disse a senha e o ladrão abriu o cofre. E, com raiva, fechou de novo!
Agora é que a coisa ficou esquisita mesmo...
- Cadê???
- ...
Sabe aquele barulho de bofetada, aquele estalo quando a mão encontra o rosto? Puxa, deu para ser ouvido até no outro lado da rua! E o sujeito arrastou de volta à sala um Flynn cuja bochecha ardia. O gato, coitado, estava sem entender nada agora. O que esse ladrãozinho queria afinal? Foi jogado no sofá feito uma almofada velha e novamente inquirido:
- Cadê???
- Mas o que você quer?... -Flynn ousou perguntar.
- Não se faça de besta, você sabe muito bem. E se não disser logo, vai ter chumbo grosso por aqui!
Ótimo, como Flynn poderia dar uma coisa se nem sabia de que coisa se tratava? E ladrão dizendo que ele sabia! E ainda tinha a pistola no meio. Foi só nessa hora que o gato ficou com vontade de chorar. Pelo jeito da situação, morreria hoje. Feito um mártir dessa vida que é uma eterna batalha do Jenipapo. E numa sexta-feita 13. Perfeito.
- Cadê??? Cadê o pergaminho???
Pergaminho?
- Que pergaminho?... Aqui não tem pergaminho ne...
- Claro que tem, Flynn Carsen! Cadê???
E o sujeito ainda sabia o nome do gato? Pensando bem, quase...
- Eu não sou Carsen, sou Frisól! -Flynn já estava cheio dessa situação toda. Que se danem as dicas sobre como lidar com bandidos!
- Não adianta mentir, imbecil! Você é o cara que achou o pergaminho para aquelas minas, e... -e o ladrão parou.
Graças a Deus, finalmente um momento em que o meliante não fica com a pistola apontando para Flynn. Ele ficou pensativo, e de pensativo foi abaixando a arma. Pensou um tiquinho e olhou de cima a baixo para o gato. E voltou a pensar, até guardou a pistola na calça. Já o Flynn, precavido, não moveu nenhum músculo. Era melhor assim. E ele voltou a olhar para sua vítima.
- Flynn Frisól, é?
- É.
O ladrão voltou a ficar pensativo. Enquanto isso, Flynn começou a juntar as peças: Já havia ouvido antes o sobrenome Carsen, num filme que passara na Sessão da Tarde num dia desses. Ah, sim! Tinha a ver com as minas do rei Salomão e tinha um pergaminho no meio! E, também, o herói da história era um humano que se chamava Flynn, assim como o próprio gato. Era Flynn Carsen.
- Você viu aquele filme... das minas do rei Salomão? -só perguntando é que se podia saber.
- Filme?... Ah, sei. -o ladrão coçou a cabeça- Vixe... Acho que assaltei o Flynn errado!
Então foi isso... O cara viu o filme, ficou louco pelo pergaminho e resolveu ir atrás do detentor da relíquia. Se bem que esse ladrão talvez tivesse bebido algo quando assistiu à Sessão da Tarde naquele dia, pois para confundir um Flynn humano com um Flynn gato... E mais: O Flynn do filme nem existe na realidade, como é que alguém vai tentar procurá-lo? Santa Maria...
- Ah, desculpe. -o ladrão parecia meio abobalhado- Não era com você... Bem, eu já vou.
Flynn saltou do sofá e foi até o telefone.
- Vou ligar para a polícia! -Flynn falou sem medo de levar tiro por isso.
- Não. Espere eu ir embora embora primeiro.
Muito calmo, o bandido foi até a porta e finalmente saiu.
By JuLiAnA HeleNa
P.S.1: Eu ainda não acabei!!!
Esses blogs são extremamente charmosos.
Esses blogueiros tem o objetivo de achar e serem amigos.
Eles não estão interessados em se auto promover.
Nossa esperança é que, quando os laços desse troféu
são cortados, ainda mais amizades sejam propagadas.
Entregue esse troféu para oito blogueiros que devem escolher oito outros blogueiros
e incluir esse texto junto com seu troféu.
Então, vocês que foram os 8 primeiros a comentarem este post, já sabem...
P.S.2: Agora, sim, já acabei.
Quadro "As duas irmãs", de Renoir.
o0o0 Maria Maria 0o0o
Maria, Maria é um dom, uma certa magia
uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer
do planeta.
Maria, Maria é o som
é a cor, é o suor, é uma dose mais forte e lenta
de uma gente que ri quando deve chorar
e não vive, apenas aguenta.
ê hê, ah hê!
ê hê, ah hê!
ê he, ah hê, ê hê ê hê
...uma gente que ri quando deve chorar
e não vive, apenas aguenta.
ê hê, ah hê!
ê hê, ah hê!
ê he, ah hê, ê hê ê hê
...uma gente que ri quando deve chorar
e não vive, apenas aguenta.
...
Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
é preciso ter gana sempre.
Quem traz no corpo a marca, Maria, Maria
mistura a dor e a alegria.
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
é preciso ter sonho sempre.
Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania
de ter fé na vida.
ê hê, ah hê!
ê hê, ah hê!
ê he, ah hê, ê hê ê hê
ê hê, ah hê!
ê hê, ah hê!
ê he, ah hê, ê hê ê hê
ê hê, ah hê!
ê hê, ah hê!
ê he, ah hê, ê hê ê hê...
(Elis Regina)
8 de março - Dia Internacional da Mulher.
Vejam um vídeo com a música acima clicando aqui.
Um feliz Dia da Mulher for everybody!
By JuLiAnA HeleNa![]()
Como de praxe, todos eles compareceram ao debate ocorrido no colégio São Batista, às quinze para as nove da noite da quinta-feira. Eram oito os aspirantes a prefeito daquela cidade, sendo que três deles quase que não estariam lá, não porque não quisessem, mas devido a alguns acharem que não iria fazer diferença se os nanicos não participassem.
A cidade não era uma metrópole, nem uma dessas pequenas perdidas pelos interiores. Tinha tamanho suficiente para ter eleitores bem informados e candidatos bem apessoados (ao menos nas vestimentas e nos modos). Candidatos como aqueles que se encontravam em uma meia-lua, o mediador em seu exato ponto médio, divagando sobre os velhos temas de sempre.
Era a questão da avenida principal para lá, a da iluminação daquele bairro para lá... Candidato, a sua pergunta é sobre saneamento básico, para quem você gostaria de perguntar?... Vez ou outra, um mais agressivo disparatava contra os demais, de preferência contra aquele que estava com mais pontos nas pesquisas. Alguns direitos de resposta por causa disso...
Sim, foi um debate com um certo pugilismo, mas mesmo assim choco. Muitos apoiaram a cabeça na mão esquerda, segura pelo cotovelo, aquela posição básica de quem quer é ir tomar um copo d'água e mergulhar na maciez de um colchão. Também, havia o agravante de que já era tarde. O pior é que nada pode salvar um debate. Ou quase nada.
E muitos agradeceram quando aquele encontro enfadonho acabou. Muitos além dos próprios candidatos, os únicos que conseguiam manter-se firmes durante tudo aquilo, devido à pressão do que deveriam ter na ponta da língua e da reação dos demais. Eles levantaram-se logo que o mediador terminou de pronunciar a despedida e, meio porquê não tinham outra coisa na cabeça de imediato, ficaram apertando as mãos uns dos outros. Um espetáculo totalmente dispensável para a platéia, que já saía.
Mas os que saíram perderam o que se sucedeu. A única mulher que concorria àquela eleição, a Branca de Neve daqueles sete grandinhos anões, parecia ir seguir o protocolo quando se direcionou à outro candidato, o terceiro do qual apertaria-lhe a mão. Apertaria, pois o que ela fez mesmo foi agarrar-lhe fortemente os braços e beijá-lo com uma volúpia estarrecedora.
Quem viu, não acreditou, no mínimo. Um outro candidato, que por algum motivo ainda se encontrava sentado no lugar dele, revelou o tamanho real da própria boca quando lhe caiu o queixo. Ela atritava as mãos no terno do o que estava em seu poder, queria invadir com a língua a boca dele... Queria-o, e como, e tanto...
A cena durou uns 3 segundos. O candidato beijado ficou com os olhos abertos, de surpreso, durante esse tempo. E então a empurrou e, virando-se, passou a mão sobre a boca como repúdio àquilo. Não interessa o que os dois fizeram depois, foram embora provavelmente. De imediato, o fato gerou comentários gerais por parte de quem estava lá e, pouco depois, os jornalistas que esperavam atrás dos muros do respeitável colégio ficaram sabendo do ocorrido.
Lá pelas onze, na praça, ele se ilhou num banquinho e discou rápido um número no celular. Não podia deixar que a esposa pensasse mal dele, depois do que ocorreu. Ele tinha que se explicar antes que aqueles línguas-de-cobra espalhassem a história, porque não foi culpa dele. Ele não queria. Foi aquela candidata que chegou e já foi logo beijando-o. Ele antes até estendera a mão, pensando que...
Desistiu de ligar, talvez não pegasse bem falar uma coisa dessas pelo telefone. Claro que não é fácil chegar para sua mulher e dizer "Meu amor, lá no debate a minha adversária me deu um beijo, mas isso não significa nada.". Ele era político e sabia o quanto que a imagem é importante. Um castelo de cartas. Ele então levantou-se e foi seguir seu caminho.
Diferentemente de tantas outras cidades, aquela era um primor no que diz respeito à segurança pública, e por isso ele andava à pé para casa naquelas vias desertas. Naturalmente desertas, o povo estava todo dormindo, até os cães e gatos dormiam. Só se ouvia o barulho dos grilos e dos passos dele próprio.
No caso dele, ainda haviam seus próprios grilos. Ora, ele foi beijado! Aquilo vai prejudicar-lhe a campanha, com certeza, se é que não já está prejudicando... Histórias como aquela correm rápido. Qual seria a senhorinha de janela que não adoraria ouvir a fofoca de que dois candidatos se beijaram no debate? É, se beijaram, porque vão dizer que se beijaram e não que ela o beijou, porque assim fica mais interessante.
Ele levou a mão à cabeça. Nunca estivera tão nervoso, nem quando estavam para sair o resultado das prévias de seu partido, quando decidiram que ele seria o candidato. Já imaginava a reação dos que iriam votar nele e dos que o apoiavam. Já imaginava o que poderiam inventar, que eles já mantinham um romance há muito tempo, tal, tal e tal... O passo dele começou a ficar duro, como se quisesse quebrar a calçada. Maldita seja aquela mulher!...
E ela estava logo atrás dele, seguindo pelo mesmo caminho. Ele percebeu quando ouviu mais passadas além das próprias e se importou de olhar para trás. Desnecessário dizer que ele não gostou do que viu, será que ela estava seguindo-o? Ele apertou o passo. Ela também. Parecia mesmo que ela estava seguindo-o. Ele pensou em correr, embora, quando ia transformar a ideia em ação, ela conseguiu tocar-lhe o ombro e dizer o nome dele.
Ele era cordial, e nessa cordialidade se incluía dar sempre atenção à quem falava com ele. E ele virou-se para o seu pesadelo daquela hora. Ele, que tinha muito tempo já na vida pública, quarentão com calvície já em estado avançado, um filho na faculdade e dois no Ensino Médio, bateu os olhos no rosto dela, um rostinho no qual começavam a aparecer as primeiras e discretas rugas.
- Eu... queria te pedir desculpas. Não deu para controlar.
- Tudo bem.
E ele voltou a caminhar. E ela também, se posicionando ao lado dele.
Não entendeu porque ela ainda estava alí. Ela pediu desculpas, ele disse tudo bem e pronto, porque ela não saía dalí então? Será que ela queria que alguém visse os dois juntos e, assim, piorar a situação? Bela forma de acabar com a campanha dele. E só de pensar que aquilo estava mandando para o além as chances de ele ser prefeito, ele enfezava-se ainda mais.
- E então?
- Eu já te desculpei. Você não ouviu?
- Tá...
- Seu marido não vai gostar.
Sim, ela era casada, claro. E ele sabia disso, assim como toda a cidade sabia. Afinal, já não haviam uns três programas eleitorais em que ela aparecia ao lado da família, principalmente daquela menininha... qual é mesmo o nome dela? A candidata vivia repetindo, dizia que faria o melhor pela cidade do mesmo modo que faz o melhor para a Ritinha. É, esse é o nome da menina. Coitada dela quando chegar à sofrer porque a mãe andou tocando lábios alheios.
E ela, ela que o havia beijado, continuava alí.
- Por que você fez isso?
Pois então, já que ela não saía de seu lado direito, por quê não perguntar? Perguntar, mesmo que na fundo já imaginasse o que ela fosse responder. Ela também era política, sabia o quanto que a imagem era importante. Um castelo de cartas. Ele estava em uma posição mais confortável do que a dela, natural que ela queira destruí-lo. Se não conseguiu com a retórica, então que apelasse, dando um beijo nele na frente de todos.
Se bem que esse beijo teria consequencias na campanha dela também. Óbvio.
- Uma jogada muito perigosa. Vai te prejudicar também.
- Eu sei disso, mas eu não pude, tinha que fazer.
- Não tinha outra saída? É uma pena que ainda exista quem toma "medidas" como essa.
- Eu fiz porque eu te amo.
- Obrigado, eu também.
Foi o único momento, nas últimas três horas, em que ele sorriu. Também, essa afirmação... Claro que ele "amava" ela, todos os candidatos de uma eleição se "amam", e se "amam" tanto que ficam um atacando a campanha do outro. É um "amor" tão natural... Foi quando ela finalmente saiu do lado dele, embora apenas para entrar-lhe na frente.
- Você não entendeu.
Ela olhou nos olhos dele, e com aquela mesma força que o agarrou no debate para beijá-lo. E então suspirou, explicou. Quando falara "porque eu te amo", não era uma brincadeira irônica. Explicou que o amava desde que ele começou a disputar as prévias do partido dele. Sabia da importância da família, do marido, da Ritinha, mas amor não respeita essas coisas. E o sentimento tomou conta dela, só aumentando porque ele aparecia constantemente nos jornais locais, na propaganda, na frente dela...
Um amor bárbaro que só crescia ao longo dos meses. O amor também não respeitava o fato de que ele também tinha a família dele e, pior, de que ele era seu adversário na corrida pela prefeitura. E amor é igual a leite fervente: se não apagar o fogo, derrama. E o derramamento aconteceu justo no fim daquele debate, quando ela não aguentou e aproveitou o momento para capturar aqueles lábios que ela tanto queria.
Foram os 3 segundos da vida dela. Foi quando ela se esqueceu de que já era uma mulher madura e tornou a ser aquela adolescente doida pelo gatinho da sala ao lado. Esqueceu-se de tudo e de todos. Entregou-se toda a ele, o único ser de fora que ainda existia. Foram segundos quase eternos, interrompidos abruptamente quando ele a empurrou. Ela também viu quando ele passou a mão na boca, limpando qualquer rastro daquele símbolo de paixão.
Claro que ela ficou triste com isso, mas nem tanto. Ela sabia que, para ele, era apenas a sua oponente, uma pessoa a mais querendo também governar a cidade. Ele nunca iria amá-la, ele nunca iria entender... Ele, na certa, também não estava entendendo a explicação dela agora. E, por isso, ela não esperou resposta por parte dele. Tão logo terminou, virou-se e foi embora.
Ele apenas ficou vendo ela desaparecendo na rua. Não estava com aquela cara de surpresa típica de quem recebe uma declaração de amor, mas se remoía por dentro. Pensou na própria candidatura, pensou na esposa que vai lhe cobrar explicações quando ele chegar em casa, pensou naquele vulto que se ia...
Pensou nos ataques que dirigia a ela, seja na propaganda ou nos debates. Pensou em alguns fatos políticos em que ele ou ela estiveram relacionados. Pensou em tanta coisa... Uma mente inquieta em um corpo parado. Ele sofria.
O conjuntinho rosa claro da candidata, o cabelo castanho que parava nos ombros dela... ela estava indo embora e uma parte dele gritava para que ele inteiro não deixasse. Ele não se esquecia do mundo, mas algo acontecia consigo.
Nesse momento, ele descobriu que, inconscientemente, também a amava.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
P.S.: Pessoal, temos mais um "Notas Avulsas" esperando pelos leitores aí embaixo. Parece que essa será a mais nova mania deste blog...
Uma máscara de carnaval com jeitinho de cara de gato.
1 - Carnaval Rio: Uma campeã diferente desta vez, a Salgueiro. A minha estimadíssima Beija-Flor (cujo intérprete, Neguinho da Beija-Flor, casou-se um pouco antes de a escola desfilar na Sapucaí (!!!), ficou na segunda colocação... Ah, mas não há problema! Já estava mesmo na hora de aparecer uma escola nova no lugar mais alto do pódio, não? A Império Serrano, que mal havia voltado ao Grupo Especial, foi a rebaixada da vez.
2 - Falando em Beija-Flor...: Quando falaram que entre os tipos de banho que a escolar iria falar -o enredo da Beija-Flor foi sobre o banho- iria estar o banho do gato, não imaginei que a importância que eles dariam a isso seria tanta. Amei ver aquele bichano enorme num carro alegórico da escola, e deve ser um bichano que morde, aquela coleira dele é bem típica dos cães pitbulls.
3 - Carnaval SP: A campeã foi a Mocidade Alegre (é esse o nome mesmo?), por uma diferença mínima da segunda colocada, a Vai-Vai. E haja lencinhos para enxugar os olhos lacrimejantes de Nenê e Peruche. Elas foram rebaixadas.
4 - E aqui em Teresina: Choveu pacas lá na Marechal, bem no meio do desfile das escolas de samba. Até faltou energia! Por sorte, a festa continuou após o aguaceiro. A Brasa Samba foi a campeã deste ano. E mais: Falou-se em começar a fazer umas mudanças para enriquecer o carnaval teresinense, e o melhor de tudo é que as escolas de samba apoiaram a ideia! Ah, se essas mudanças forem efetivadas, o carnaval do próximo ano promete por aqui...
5 - Convidado ilustre: Olha lá! Desde 1994, não se via um presidente da República assistindo ao um desfile de escolas de samba no Rio sem ser pela televisão. Pois é, Lula estava lá, num camarote, assistindo tudo. E estava com um visual muito estranho (não liguem para este meu comentário, é que eu acho estranho quando nosso presidente não está usando terno e gravata...).
6 - Tragédia: Tanto que se falou lá em Luís Correia para não usarem a areia da praia como pista de corrida, mas acaba aparecendo alguém para desafiar a norma e o resultado já é de se imaginar. Em pleno período carnavalesco, um rapaz da minha idade corria num quadriciclo em plena praia até que uma corda, que prendia um barco à terra firme, atingiu o pescoço do garoto e o arremessou do veículo. Devido ao acidente, ele teve a traquéia cortada e veio a falecer no hospital.
7 - Naruto no Carnaval: Na última sexta-feira, dia 27, assisti a uma reportagem no "Jornal Nacional" sobre o carnaval em Portugal, e apareceu a Temari, amiga na nossa queridíssima Ino Yamanaka! Sim, era a Temari, do anime Naruto, pulando carnaval... Está bem, admito. Era só uma cosplay da Temari.
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Disclaimer: Os personagens Kin Tsuchi (os cabelos mais pretos do que os da Iracema), Zaku Abumi (o que é isso que ele usa na cabeça?) e Dosu Kinuta (o "Seu Múmia") são do anime Naruto e, por isso mesmo, não me pertencem. Porém, a crise financeira mundial... ah, a crise... esta sim é de todos nós...
A princípio, eu pretendia fazer esta história em quadrinhos -melhor dizendo, fanfic em quadrinhos- com a equipe da Ino, mas então me veio a ideia de usar o Trio do Som -os três citados acima- e resolvi fazer assim mesmo. E ficou isto que vocês verão logo abaixo.
Me desculpem se a postagem ficar maior do que o normal para as publicações daqui. Ao menos, é uma HQ, e não um monte de palavras organizadas em uns tantos parágrafos e formando aquilo que costumamos chamar de post.
Me desculpe também por interromper o carnaval de vocês para falar de crise.
FIM.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
O fato é que hoje, 15 de fevereiro de 2009, completam-se 6 anos em que eu peguei uma caneta preta e começei a escrever em meu antigo diário Cadernota. Foi quando ele nasceu.
...
Sou eu que vou seguir você, do primeiro rabisco
até o be-á-bá.
Em todos os desenhos coloridos vou estar
A casa, a montanha
duas nuvens no céu.
E o sol, a sorrir, no papel.
Não, não foi bem assim. Eu já tinha 10 anos bem vividos quando eu vi o Cadernota pela primeira vez. E já foi começando o nosso caso de amor: eu com o nariz grudado no vidro da vitrine (por Deus... eu e as minhas hipérboles...) e ele do outro lado. Tudo bem, ele ainda não era o Cadernota...
...era só um caderno de matérias verde, plastificado, com glitter, e tinha também uma estrela na capa e o nome "Capricho" embaixo. Ah, e ainda tinha o elástico, tipo aqueles de pastas! Quantos cadernos no mundo possuem elástico?
Eu já tinha pretensões de escrever um diário naquele dia, e um caderno bonito daqueles bem que podia ser usado para essa função. Quando ele foi comprado, papai pensou que eu o queria para as minhas tarefas de casa, acreditam? Não, para o colégio, seriam os mesmos velhos e bons cadernos de 96 folhas de sempre.
Na época, chamei-o de "Capricho 2003", segundo o que consta na folha que coloquei na contracapa, a folha que também tem um gatinho desenhado e a jura de que "Aqui os segredos de um ano serão revelados". Resolvi dividí-lo em capítulos, de acordo com o número de matérias que possuía. No texto do dia 15 de fevereiro de 2003 -o primeiro de todos- era o da apresentação. Já fui disparando logo que "Meu nome é Juliana Helena, tenho 10 anos e meu signo é de virgem. (...) Gosto muito de gatos! Quero fazer até um site sobre eles. Sabia disso? (...) Não tenho namorado."
Só uma coisa: Por que cargas d'água uma criança de 10 anos colocou essa imformação, a de que não tinha namorado, no texto?
Sou eu que vou ser seu colega
seus problemas ajudar a resolver
Sofrer também nas provas bimestrais
junto a você
Serei sempre seu
confidente fiel
se seu pranto molhar meu papel.
Era um texto por dia. Em todos, eu fazia questão de colocar a data no espaço dedicado a esta, e abaixo, escrevia o dia da semana. Em algumas vezes, fiz amigas minhas também escreverem alguma coisa nele. Falndo em escrever... gente, em 2003, a minha letra não era a coisa bonita que é hoje... Tudo bem, era legível, sempre foi. Mas hoje está muito melhor.
Nem todos os textos do Cadernota ocupavam uma página inteira. Tem um, o "fitinha novinha" (Sim, o título foi escrito com letras minúsculas), que ocupou apenas 10 linhas da página. Outros chegaram perto. A verdade é que nem sempre eu tinha assunto de escrever algo nesse meu diário. Lembro-me que, quando chegou o segundo semestre de 2003, chutei o balde: quando não me ocorria algo digno de ser contado, eu pegava uma caneta colorida, fazia um desenho qualquer e ficava por isso mesmo.
Embora antes eu pegasse a velha caneta preta e colocasse título e data. Isso era um protocolo a ser seguido, tal qual a obrigação de todo dia colocar algo no Cadernota.
Mas, por favor, não pensem que os textos pequenos que exisitiram no meu diário eram sintoma de falta do que escrever. Se havia texto, havia algo para se contar, mesmo que fosse pouca coisa. Talvez estes ficaram pequenos porque, diferente de hoje, eu era menos detalhista, mais direta e conseguia me satisfazer escrevendo pouco.
Porém, nem sempre havia paz para o Cadernota e para mim. Às vezes, reclamaram que eu dispensava atenção demais para ele, que eu devia era ir estudar, tal, tal e tal. Mas eu nunca fui de deixar meus livros na mão, e sabia realizar as duas atividades sem que uma atrapalhasse a outra. Já que tais críticas nunca deixaram de ocorrer, em uma hora decidi que "vou passar uma semana longe de você, e terei que fazer isso tambem nos meses agosto, setembro e outubro".
E, além da implicância para com meu diário, havia também outro motivo para a decisão: "...para que eu possa "empurrar" o mês de dezembro para aqui dentro". Em outras palavras, para que as folhas do caderno não acabassem antes do fim do ano.
Foi por isso que o Cadernota nunca me acompanhou durante as provas bimestrais. E nem as mensais. Ele ficava me esperando no cantinho dele.
Sou eu que vou ser seu amigo, vou lhe dar abrigo
se você quiser
quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
e você vai rasgar meu papel
Graças a Deus, nunca me passou pela cabeça de, um dia, atirar fora um pedaço ou toda uma folha do Cadernota. No entanto, o intenso manuseio tratou de fazer isso. Uma folha do primeiro capítulo se desprendeu, mas, ainda bem, não a perdi. Também aconteceu de enfraquecer a cola do durex que prendiam os cartões "Kitty Cat" que eu coloquei em dois textos. Também tenho o cuidado de mantê-los junto ao caderno.
Um minuto, cartões "Kitty Cat"? Bem, são uns cartões que eu fazia num programa de computador chamado Print Artist. Eram cheias de gatos na capa e dentro eu fazia dedicatórias aos meus queridos bichaninhos. Dedicatórias estranhas, diga-se de passagem, pois eu só pensava no que ia colocar no cartão apenas quando chegava essa hora. No Cadernota, há dois cartões desse tipo.
Eles não eram as únicas coisas diferentes (de um bom texto) que haviam no diário. Coloquei uma propaganda de uma marca de mel, outra de perfume, recortes de jornal, partituras de músicas do meu teclado, preços de produtos, um desenho do Tigrão feito por uma colega de escola e até uns papéis de bombons. Eu adorava procurar assuntos em jornais e revistas. Peguei matérias da "Mundo Estranho" e de jornais locais, como por exemplo, respectivamente, quando escrevi sobre os tipos de uva e sobre moda para o carnaval.
A televisão também tinha influência cativa nos textos. Que o diga um texto no qual eu tentei transcrever os diálogos de um episódio do seriado "Chaves". E outros sobre o "Video Game" (aquele da Angélica) e coisas interessantes dos demais programas. E os livros... por causa deles, existe no Cadernota até um texto com diálogos em espanhol...
E as propagandas? Ah, sim, as propagandas! Até uma sobre portas foi parar no Cadernota. Eu achei bonitinhas as portas e coloquei, pronto. Em outro caso do tipo, fui mais inteligente: pequei umas dicas de verão contidas em uma propaganda de supermercado, colei no diário e depois procurei produtos na mesma com os quais se poderia seguir as dicas, e também os colei.
Também escrevi uma série de textos sobre raças de gatos. Toda segunda-feira, uma raça diferente. "Sabe qual é o gato de que eu falarei hoje? Sim? Não? De qualquer jeito eu vou falar!", e eu falava mesmo. Mas só o fiz durante as férias de julho, e no fim colei as fotos das quatro raças de gato que eu consegui falar: Siamês, Egyptian Mau, Persa e Balinês.
Houve até momentos em que decidi escrever poesia -por que eu me metia com isso, meu Deus?- e noutro, com saudades de Fortaleza, desenhei a logomarca de uma tevê local de lá, a TV Jangadeiro. Mas, frise-se, esse desenho foi feito porque ele era o assunto, e não porque eu não tinha nada para falar.
Acho que foram essas coisas que deixaram o Cadernota interessante. Ainda bem que ele aceitava passivamente que eu colocasse qualquer coisa nele. Também, ele era um caderno...
O que está escrito em mim comigo ficará
guardado se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
o que se há de fazer?
Só peço a você um favor, se puder
não me esqueça num canto qualquer.
Aconteceu de me dar febre em um dia de meados de abril, mas isso não foi desculpa para me esquecer do Cadernota. Segui a regra, e escrevi nele como em qualquer dia em que ele pudesse ser escrito. "Mas pelo menos tem o lado bom da coisa, existem lazeres que podem acontecer, imagina um, nem que seja uma tabela", e eu fiz a tal tabela, coisa mais sem graça, se bem que o terceiro item era um pouco diferente: pentear cabelo de boneca. Tudo bem, eu era uma criança mesmo...
Vou admitir que pentear (e cuidar) dos cabelos das minhas bonecas era a minha atividade favorita naquela época. O Cadernota é testemunha: uma vez escrevi sobre como se lavar o cabelo de uma boneca e, noutra, dei a receita de um tal "Eblema Collin", que não passava de uma mistura de condicionador, talco, perfume e outros cremes feito exclusivamente para... passar no cabelo das bonecas.
E eu ainda colocava a boneca na geladeira, com o cabelo ensopado da mistura... Ai ai!
Como todo bom diário, não faltava os meus relatos sobre o que acontecia na vida nada aventurosa de uma garotinha. Sobre o primeiro dia de aula na 5º série, as voltas no shopping, visitas à casa da avó, a venda do Dey Rey e a compra do Siena, alguma coisa ou outra que ocorria no ambiente escolar, sonhos que tive, viagens (com ou sem mim), um livro da 6º série que quis comprar, a minha festa que eu tornei o "Jogo do Prisma".
A primeira vez em que eu cantei em público, a minha paixão pela novela "Viva as Crianças - Carrossel 2", o início do meu carinho pela Vila Sésamo, a construção da minha fita de vídeo própria "Cante Comigo - Girassol", a minha neura por querer um falcão de brinquedo que vinha em uma revista, e a vez em que minha mãe foi para Brasília e eu achei que ela iria ver o presidente...
Em todos os textos, não faltavam os famosos adesivos. Eu também fazia questão da presença deles. E eu não me cansava de arranjar novos para que o estoque nunca acabasse. Não havia texto sem adesivo.
Só peço a você um favor, se puder
Não me esqueça num canto qualquer...
(os versos em negrito são a música "O caderno", de Toquinho)
No fim das contas, o Cadernota foi um diário de verdade, nas folhas e na essência. Foi um amigo atento, um companheiro atencioso e deu pano para manga.
Em seu último texto, eu peguei todos os adesivos que ainda restavam e colei-os nas bordas da folha. Diminuiu o espaço para o texto, mas isso não me importou muito. Por pouco, eu não o conclui no dia em que ele completaria 1 ano. A despedida ocorreu no dia 9 de fevereiro de 2004. A essa altura, eu já não era a mesma que iniciou aquele diário. Eu já escrevia melhor e meus textos haviam crescido um pouco.
Uma despedida básica. Lamentações por essa ser a última vez, resumo do que ocorreu durante o ano, a caixa de surpresas que eu lhe prepararia caso não tivéssemos que nos separar, e "Apesar de você ter acabado, e os segredos de 2003 revelados, eu vou continuar te amando".
Os segredos de 2003... Eram segredos porque faziam parte do futuro, e quando o tempo os tratou de revelar. E o Cadernota, a registrar. Além de usar a minha eterna caneta preta, quebrei-lhe o monopólio e usei uma caneta diferente para cada parágrafo do texto final.
O Cadernota teve 370 páginas de textos, distribuidos em 9 capítulos. Não é mais o caderno bonito de quando o encontrei na vitrine... O nome "Capricho" sumiu da capa, as estrela ficou com as bordas sujas, o elástico ficou frouxo e as folhas amareladas nas bordas. Se antes era sua beleza, sua maior riqueza passou a ser o seu conteúdo.
De fato, continuei amando-o. Tanto que agora Cadernota tem status de relíquia. Aliás, acho que ele nem sabe que recebeu esse nome! Afinal, só o chamava de Capricho 2003...
Cadernota. 6 anos de existência. Ele merece mesmo uns parabéns.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
O castelo Monalisa, que pelo visto é a prova de que tinha alguém praticando corrupção.
1- É incrível como acontecem certas coisas neste nosso Brasilzão vibrante: tanta gente que tem que viver em barracos mínimos e, de repente, ficamos sabendo que um deputado construíra um castelo no interior de Minas Gerais. Sim, um castelo. E pior: parece que o dinheiro usado para construi-lo não veio de fontes limpas -e de pensar que o tal deputado ainda ia ser corregedor da Câmara... Ah, minha nossa...
2- Será que alguém poderia me explicar por que existem trotes violentos contra universitários calouros? Os casos noticiados nesta semana foram de indignar qualquer um! Ao invés de praticarem essa crueldade toda, porque os veteranos não fazem algo como, por exemplo, mostrar aos novatos onde ficam as dependências da universidade? Alguém me explica?
3- Ficaram sabendo do caso do garoto que já é pai com apenas 13 anos? É complicado, hein.
4- Na última sexta-feira (dia 13 de fevereiro) passou um filme no qual o nome do protagonista era... Flynn! Esse nome não lhes lembra alguém? Sabem, isso ainda vai me render um post aqui...
5- A minha segunda semana no 3º ano passou (em termos de tempo psicológico) mais rápido do que a primeira. Parece que, nas quintas, também terei de vir ao colégio à tarde.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
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Para nós, que ainda temos que estudar em colégios, as férias acabam de fato não quando começa o ano letivo, mas quando vamos, meio que ainda sonolentos, ir atrás do material escolar. Tal instante é como sair de um transe no qual se estava mergulhado durante esses dois meses e mais alguma coisa em que não precisamos nos preucupar com notas.
Bem, isso é realmente verdade, mas eu exagerei. De fato, a hora de comprar a equipe que vai te acompanhar por mais um ano funciona como um belo cutucão para nos lembrar "em que data estamos". Porém, eu ainda tinha mais uma semana de férias quando comecei a proucurar a minha equipe e deu tempo para a impressão acima escrita não ser tão intensa.
Foi assim: em um sábado, comprei boa parte dos livros, a mochila e o estojo. No sábado seguinte, comprei o fichário, as folhas, uma caneta e demais adjuntos. A mochila é uma de cor branca e azul, com algumas estampas florais de um azul um pouco mais escuro. O fichário é predominantemente laranja, mas em sua capa cabe uma explosão de cores, e no centro de tudo um fofa imagem da Hello Kitty.
Mas o golpe de sorte foi o estojo. Eu estava pensando em reutilizar o do ano passado, mas eu vi na vitrine da Leonel um conjuntinho da Vila Sésamo. Isso mesmo, Vila Sésamo! Era mochila, lancheira e estojo. Levei o estojo. E na hora.
Um dia antes do início das aulas, já estava pronta a bela e competente equipe que me acompanharia durante o 3º ano.
Uma mochila da Pucca.
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Era um dia muito especial o 2 de fevereiro de 2009, esse dia em que subi no carro para ir pela primeira vez, estando no 3º ano do Ensino Médio, ao meu colégio. E por ser a série justo esse 3º ano, então foi a última vez que eu me dirigia a uma escola porque era o primeiro dia de aula.
Resumindo, era o meu último primeiro dia.
Sendo assim, natural que fosse um dia importante na minha vida, mas foi difícil ficar alegre nos primeiros momentos. O caso é que o bom humor não estava muito em alta em casa e acabei ficando um pouco... para baixo... Mas nada que fosse facilmente revertido quando você olhasse o chapéu que o porteiro estava usando quando cheguei e alguns colegas com um colar de luau -aqueles típicos do Havaí- no pescoço.
Parece que não havia colares suficientes para todos. Eu fiquei sem, mas isso é o de menos, até porque, mais tarde, os coordenadores do colégio passariam em nossa sala e distribuiriam canetas com a logomarca do colégio.
O clima carnavalesco era evidente: do teto pendiam fitas coloridas, rostos de palhaço e máscaras enormes trabalhadas em isopor.
Acho que já estava ocorrendo a formação quando adentrei o colégio. Formação é quando todos os alunos tem de organizar-se em filas frente aos bancos do pátio e os professores ficam falando ao microfone de pé em cima... desses mesmos bancos. Foi aquela coisa: apresentação da equipe docente, boas vindas à todo mundo, etc, etc, etc.
Porém, algumas novidades no funcionamento do colégio. Uma foi em relação dos prédios -não sei se já lhes falei isso alguma vez, mas o meu colégio é dividido em dois prédios: No prédio I, ficará do Maternal até a 5º série. No II, o meu, ficará da 6º série até ao 3º ano. A mudança da 5º para o outro prédio se deu por causa do surgimento do chamado 9º ano, que agora é a última série do Ensino Fundamental.
Isso me dá um nó na cabeça quando penso para que série foi o pessoal que fazia a 4º série no ano passado. Mas, pelo que me pareceu, estes passaram direto para a 6º série.
A outra novidade é que o recreio sofreu mitose* enquanto eu estava de férias. Agora são dois intervalos durante o turno, um entre o segundo e o terceiro horários e outro entre o quarto e o quinto. Ambos tem duração de 20 minutos. Quando falaram isso na formação, o alunado ficou levemente animado, pelo o que pude notar. Também, dois recreios, meus caros...
Tratei logo de verificar meu número na lista de chamada da minha série, que estava fixa no mural como todas as outras. É um procedimento de praxe. Sou o 18.
Como já imaginava, o 3º ano é uma turma pequena, de uns trinta e poucos alunos. Os professores já diziam: era o funil. Por isso o 1º é enorme, o 2º é mediano e o 3º é o menor de todos. Só há 2 alunos novos -melhor dizendo, alunas. Poucos de nossos professores são novos, a maioria já nos acompanhava, no máximo, desde a 8º série. O que se seguiu foi aquele falatório todo acerca do vestibular e de nossos futuros, e a aplicação da nossa velha conhecida Avaliação Diagnóstica.
Aquela que eles aplicam em todo começo de ano para ver "o que nós nos lembramos do ano anterior". Houve quem já tivesse se cansado dela.
Aconteceram também mudanças quanto às nossas matérias, mesmo que fossem mudanças previsíveis: Se, quando eu estava no início do Fundamental, haviam várias matérias para um só professor, agora são vários professores para uma só matéria. Biologia, Física, Matemática e Química se dividiram em três. História e Geografia, em duas. O resto ficou como estava.
Ironicamente, o primeiro professor que nos deu aula na nossa nova série foi um dos de Matemática. E vocês sabem, esta é a que torra o meu cérebro na tentativa de apender o conteúdo, já que não sou boa em nada que leve conta. Também foi a primeira matéria a me fazer escrever algo no meu fichário.
Basicamente, o dito último primeiro foi mais de conjuntos e menos cálculos, de uma fila quilométrica para comprar o lanche, de um mapa do Brasil que pareceu-me um porquinho de pés amarrados, de que mátéria -em termos químicos- é energia compactada, de um trabalho (mas já?!) e de uma saída às 1h30 porque a partir daquele dia as minhas aulas só terminam a essa hora, exceto nos sábados. E acabou-se.
Naturalmente, já que existe uma coisa chamada tempo, logo veio o segundo dia de aula, o terceiro, o quarto, o quinto... o sétimo...assim virão os dias da próxima semana e os demais do resto do ano. Foi uma semana longa. Também, nas férias eu estava numa certa "imobilidade de fatos" e de repente começo a receber um tanto de coisas novas (leia-se informação) todos os dias. Vai ver que é o conteúdo de um dia o que define a impressão que temos dele.
De fato, pareceu que já tinha se passado um mês que alguém tirou uma foto dos alunos durante a formação e eu acabei posicionada bem no certo da imagem. É uma foto que vi ontem -dia 07/02- no mural, encheram-no de fotos do primeiro dia. Bem, eu não gostei muito do jeito que eu apareci: vestida com o casaco, parecia uma pantufa! Sem falar que eu parecia estar roendo a unha.
Esse ano, o 3º, vai ser o mais intenso de todos. O motivo é o fato de ele ser o último ano em que estudarei em um colégio. Terei de vivê-lo mais. Ainda bem que estudar também faz parte desse viver. No fim do ano, farei a terceira e última etapa do PSIU e em 2010 já quero estar cursando Jornalismo na UFPI. E como colégios, sozinhos, não fazem milagres...
É estudar, participar de mais eventos do colégio, é aproveitar cada manhã em que eu estiver usando minha farda... Essa terá de ser o meu 3º ano. Ainda bem que terei oito meses para fazer todas essas coisas.
E no primeiro dia de aula eu fiz o que pude. No meu último primeiro.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
*mitose: Processo de divisão celular.
Nunca a garagem esteve tão espaçosa. Acho que a grama do quintal finalmente poderá respirar aliviada, após um longo tempo tendo que suportar um carro estacionado sobre ela. Na área coberta, Siena espera o momento de ser usado. Ao menos na maioria das vezes, pois no momento em que escrevo isto, ele não está. Foi dar umas voltas, como todo carro que se preza.
E Siena nem sempre esteve sozinho.
Foi na sexta-feira, dia 23 de janeiro de 2009, Pietro Paulo foi embora. O vi pela última vez atravessando o portão, com um novo dono na direção, e daí seguindo pela rua com o Siena atrás, meio que fazendo companhia àquele passeio de despedida. Ele precisava ir, chegara o momento dele.
Pietro Paulo chegou aqui em casa lá pelos idos de 1996. Era um belo exemplar, verdinho cor de lagarto com um toque de água do mar. Era um Palio, tinha as formas delicadamente arredondadas. Se fosse um carro de brinquedo, teria de ser um de pelúcia, pois seu estilo não combina com os velhos e bons e aventureiros carrinhos de plástico.
Seus bancos tinham uma estampa que lembrava xadrez, mas não era xadrez, só parecia.
Chegou aqui com o rótulo de "carro da mamãe". É que tanto meu pai quanto minha mãe trabalhavam e um carro apenas não estava dando conta do recado. Sim, além desse, Pietro Paulo ainda era o caçula. O "carro do papai" era o bege Del Rey, um quadradão comprado ainda na década de 80.
Como todo carro novo, tornou-se frequente a presença do "caçula" Pietro Paulo na parte coberta da garagem. Já perdi a conta das tantas fotos em que o vi alí. Del Rey, o mais velho, o cheio de arestas, foi para a parte do quintal que hoje pertence, inteiro, à grama.
Pietro Paulo não era o mais moderno que havia tratando-se de carros em 1996, mas era um carro que podíamos chamar de novo.
Não me lembro muito dos passeios de Pietro Paulo entre a época em que fora comprado e o começo do novo milênio. Talvez porque na época eu fosse só uma criança. Ora, quando o compramos, eu só tinha 4 anos. Tanto que também não possuo a mais remota lembrança de quando entramos na concessionária para sairmos de lá com ele.
Só me recordo de Pietro Paulo já estando aqui.
Foram muitas as flores e as agruras que passamos com Pietro Paulo. Um vez, viajávamos para Luís Correia pelo chamado "Caminho das Águas". Em um determinado momento da viagem, mais precisamente naquele trecho antes de Joaquim Pires -a cidade do tamanho de um ovo, diziam- a estrada era de terra, e no melhor estilo "filme de faroeste".
Só que Pietro Paulo não tinha ar-condicionado. Certo, ele tinha um ventilador, mas não funcionava. Então, tivemos que escolher entre o calor e a poeira. Decidimos por fechar os vidros e ficar com o calor.
Fomos com o Pietro Paulo nessa viagem porque, àquela altura, Del Rey já era um legítimo lata-velha e não aguentaria rodar tantos quilômetros.
De fato, o tempo para os carros está mais para o tempo dos gatos do que o das pessoas. Um carro de 20 anos não pode ser considerado um carro adulto, mas sim um velho já consumido quase que em sua totalidade. Assim se tornara Del Rey, e sua presença na casa já estava se tornando dispensável. E como naquele tempo ainda não havia ainda o programa do Luciano Huck que destina-se a reformar carros, vendemos nosso companheiro bege. Ele fora-se em 2003, por uns mil e tantos reais.
Foi quando apareceu Siena.
E à Pietro Paulo começou a sobrar apenas um iminente ostracismo. Siena era, em muitos aspectos, melhor do que Pietro Paulo. Um exemplo? A presença do ar-condicionado, que tal? Siena era encantador. Tinha também umas formas arredondadas, mas tinha mais cara de carro do que seu antecessor. Era um carro prateado, como mamãe queria. Só era um pouco baixo, o que lhe tornava uma presa mais fácil para as lombadas.
Dos primeiros dias do Siena, lembro-me de quase tudo. Não só me lembro, como deixei registrado no meu então diário Cadernota. Lembro-me quando o vi pela primeira vez lá na concessionária Jelta da Av. João XXIII. Lembro-me quando ele me buscou pela primeira vez no colégio. Lembro-me do número de quilômetros rodados aumentando (ainda na casa dos três dígitos) na nossa primeira viagem juntos.
E nessa história parecia não haver mais lugar para Pietro Paulo. Foi sendo gradativamente empurrado para o quintal.
E começaram à aparecer também os problemas. O tempo não o atingira da mesma forma que o Del Rey, mas não dava para se negar que Pietro Paulo estava ficando velho. Já era um automóvel com um pouco mais de 10 anos, já possuía manchas enormes no capô a macularem-lhe seu belíssimo verde, e já começava a apresentar problemas cardíacos... digo, na bateria.
Tornou-se frequentador assíduo de oficinas, se bem que Siena, às vezes, aparentava ter também uma saúde frágil. Já ocorreu revezamento entre os dois.
O momento mais dramático foi quando eu e a mamãe saímos ao shopping, e fomos de Pietro Paulo. Então, quando estávamos frente ao balão da Ponte da Primavera, ele, subitamente, apagou. Imagine nós, no meio da rua, com um carro desacordado. E o medo de algum meliante se aproveitar disso... Assim que Pietro Paulo se recuperou, nós voltamos para casa.
Já fazia algum tempo que se negociava a venda de Pietro Paulo, a decisão de amigo de trabalho da mamãe de levá-lo consigo foi apenas o último capítulo de um processo que se desenrolava há alguns meses, e também o último capítulo de uma vida quase inteira juntos.
Pietro Paulo já tinha tido outros problemas após o desmaio daquele dia, e foi por essas e outras que decidiram que chegara a vez dele. Eu não questionei, mas imaginava que Pietro Paulo talvez ficasse conosco até o dia em que estivesse, literalmente, caindo aos pedaços. Até quando ele não pudesse mesmo mais.
Mas a decisão da venda fundamentava-se no fato de que Pietro Paulo ainda possuía uma boa aparência, o que o fazia mais valorizado. Uns dois dias antes da despedida, eu tirei umas fotos de Pietro Paulo. Eu já sabia que, muito em breve, ele já não estaria mais conosco.
E, na sexta-feira dia 23 de janeiro de 2009, meus pais ficaram conversando por um bom tempo com duas pessoas durante a manhã, ambos amigos da mamãe. Um era o interessado pelo carro, o outro apenas o acompanhava. E ficaram nisso até a derradeira hora, quando Pietro Paulo atravessou o portão, com um novo dono na direção, e daí seguindo pela rua com o Siena atrás, meio que fazendo companhia àquele passeio de despedida.
When you walk away
I count the steps that you take
Trecho da música "When you're gone", da Avril Lavigne.
Perguntei à mamãe agora há pouco se ela já falara com o novo dono de um certo Palio verde, o que era nosso. Ela falou-me que ele prometera fazê-lo ficar novo, inclusive tirar aquelas manchas do capô. Ele merece.
Imagino que, após essa renovação, Pietro Paulo poderá dar muitas alegrias à seu dono. Um carro, muitas vezes, é o melhor companheiro que você pode ter, e Pietro Paulo, apesar dos problemas que ele já nos deu, não falhará nesse compromisso.
Agora o assunto foi meio que deixado de lado, devido à outros interesses, mas já ouvi meus pais falarem em comprar um carro novo após a venda do Pietro Paulo. Não há previsão para esse novo automóvel chegar... mas tudo bem... não tenho pressa e Siena, até agora, tem se dado muito bem sozinho.
O espaço vazio no quintal até que não incomoda tanto, mas não deixa de ser um espaço vazio. Alí esteve um carro que, sem modéstia alguma, fez parte da infância inteira de uma pessoa.
A minha infância.
E essas coisas não se apagam assim tão fácil.
By JuLiAnA HeLeNa![]()
P.S.: Minhas aulas começam amanhã, segunda dia 2 de fevereiro. Portanto, posts agora só nos domingos, como sempre foi. Até!
- Sabe, err... Você conhece algum ponto interessante da cidade... para gatos?
- Eu acho que a praça aqui perto de casa serve.
- Tem arranhadores lá?
"Não, Pinkete, não há arranhadores.", pensou Flynn, enquanto ajeitava o negro paletó. "Mas talvez você fosse gostar de arrancar as flores de lá... coitado do jardineiro.". E o branco bichano olhou-se no espelho para conferir o resultado, mas porque isso era um hábito do que por querer ver-se bonito.
Mas o jardineiro que não se preucupasse, porque ninguém iria se atrever a machucar as belas flores da praça ou a tentar subir no poste da pardade de ônibus. Não havia dado tempo para Pinkete conhecer a tal praça. Ela morreu antes.
Flynn virou-se, não havia mais necessidade de ficar olhando para o próprio reflexo. Às vezes, não entendia porquê os gatos também tinham que, de vez em quando, usar roupas. Manias de humanos... e olha que gatos já possuem a cobertura natural da pelagem. Saiu, disse-me aonde ia e foi embora. Ele e Pinkete não eram namorados ou algo assim, também não eram muito próximos, se conheceram há pouco tempo. Porém, já eram bona amigos. Quem sabe no futuro eles não iriam também ter alguma coisa, e uma ninhada de belos gatinhos depois...
Futuro interrompido.
Flynn teria que esperar o ônibus na mesma praçinha onde combinara de levar Pinkete. A saudade e a indignação bateram-lhe mais forte quando entrara alí. A verdade é que a praça agora representava um plano para a vida toda que uma pessoa nas hesitara em destruir, apenas pelo puro prazer de fazer uma criatura sofrer até o último suspiro.
Haviam na parada mais algumas pessoas e um outro gato também. Flynn sentou-se, como um gatinho que se preza, fino com a espécie dita. O bichano que já estava alí usava apenas uma coleira preta, parece que ia para a missa de sétimo dia também. Flynn puxou papo com algumas das pessoas que alí também esperavam a condução, o fazia como maneira de diminuir a própria angústia que o lugar onde estava lhe provocava.
Finalmente, o ônibus chegou. Flynn suspirou.
Ao chegar ao cobrador, o gato apenas colocou-se de lado e o cobrador agachou-se, pegando o dinheiro da passagem, que estava em um dos bolsos da calça de meu bichano. Era a maneira felina de se pagar ônibus. Dinheiro é sujo, e por isso não pode ser carregado na boca, como um animal de quatro patas teria normalmente que fazer. Flynn foi para os fundos do automóvel.
Tirando Flynn, só haviam uns três ou quatro gatos dentro do ônibus. A maioria esmagadora dos que estavam alí dentro eram humanos... Não é algo comum. Numa sociedade mista, de primatas (homens) e felídeos (gatos) inteligentes, é mais fácil ver todos em igual proporção em todos os ambientes. Será que a população felina decidiu passar o dia em casa?
Principalmente, depois... daquilo...?
Um balanço da condução lembrou ao Flynn que Pinkete não gostava muito de ônibus. Pelo menos, não de ir dentro deles. Ela ainda conservava os hábitos de quando os gatos ainda eram seres irracionais, iguais a todos os outros. Ela era livre. Ela saltava do telhado para o teto de um ônibus sem medo de se estatelar no chão. Parecia voar. E voava, porque ser livre é ter asas.
O ônibus agora passava pela ponte. "Ele é realmente muito bonito, o Poty, visto daqui, mas nem me peça para ir cair nele!", ela falava. Lógico, visto que gatos detestam água. Flynn também jamais se atreveria a molhar-se naquele rio...
E de pensar que haviam humanos que colocavam gatos fechados em sacos e os atiravam nas águas do Poty, gente da laia daquele que assassinou Pinkete. E esses eram os mais desprezíveis: Eles faziam tudo alí, frente aos olhares de quem passava pela ponte. Indiferente, cometia seu crime, saciava a sede por sadismo, por crueldade. Definitivamente eles achavam a vida de um gato inferior à vida de um homem, ou talvez não desse o mínimo valor à vida dos outros.
Mas Pinkete não morreu afogada. Seu algoz queria agir discretamente, mas de modo que estraísse até o último pingo de sofrimento que poderia tirar de alguém. Atirá-la da ponte chamaria muito a atenção.
Ele decidiu usar raticida.
Flynn cerrrou os punhos, melhor dizendo, as patas dianteiras.
Os gatos, hoje e sempre, vivem dos ratos. Desde o mais remoto dos tempos, a intuição felina manda caçá-los para garantir a sobrevivência. Não há um só gato neste mundo que não tenha comido um rato. Pinkete, inclusive, já deve ter atacado muitos.
Porém, um rato envenenado, se comido, passa o componente mortal para seu predador. E o assassino sabia disso.
No dia seguinte, quando os que a amavam procuraram por Pinkete, ela foi encontrada num quintal, provavelmente a deixaram alí. Já estaria morta desde a madrugada. Após a descoberta do corpo, começaram a dizer que ela, ingênua que é, comeu um rato que achou na rua. Quem deve ter espalhado essa história decerto fora o próprio criminoso, para que não suspeitassem de assassinato.
Só que fizeram a perícia no corpo da gata, e então ficou evidente o delito: Não havia sinal sequer da presença de um rato no estômago da vítima, mas o raticida estava lá... foram encontrados muitos traços do veneno.
Flynn levantou a cabeça e procurou esquecer, como forma de evitar as lágrimas. Tudo aquilo era tão... tão... indignante! Deu-lhe vontade de odiar os homens, mas meu gato sabia que existiam também pessoas boas nesse mundo...
...como se isso bastasse para sufocar-lhe a revolta.
O ônibus parou em outra praça, do outro lado da cidade. Era alí. Flynn desceu e olhou para os lados, a igreja provavelmente era à direita. Aquele outro gato, o de coleira preta, também descera alí e foi indo na mesma direção que Flynn ia.
Só por uma necessidade abusrda de querer falar com alguém (Será que Flynn queria mesmo era desabafar sua indignação e não tinha coragem?), meu gato lenteou as passadas, até que ficou lado a lado com o outro. Era um gato também branco, tal qual o próprio Flynn, só que o pelo era bem mais curto e o focinho era mais longo, sem falar que também era um pouco menor.
- Vai à missa?
- Ahn?
- A de sétimo dia? A da Pinkete?
- Ah, sim. É uma pena...
- Conheceu Pinkete?
- Só de vista, mas já me falaram muito bem dela. Pois é... uma pena...
- Pois é.
- E quem é você? Eu me chamo Malaquias.
- Puxa... Nome diferente para um gato...
- Mas pode me chamar de Mala, todo mundo me acha um mala mesmo. -o outro riu- E você não me respondeu: quem é você?
- Flynn Frisól.
Realmente, haviam tomado a direção certa. A igreja estava lotada, tanto de humanos quanto de gatos, alguns usavam uma camiseta branca com uma foto da Pinkete. Flynn abriu alguns botões do paletó -estava quente. Tanto ele quanto Malaquias decidiram procurar um lugar à frente, perto dos amigos da morta. Era melhor, já que o lugar estava cheio de desconhecidos.
Eram pessoas e gatos que, comovidos pela tragédia, resolveram vir também dar um pouco de bálsamo para uma alma que deve ter sofrido tanto em seus momentos finais.
Missas geralmente duram de uma hora a uma hora e meia, mas Flynn até que a achou rápida. Porém, não acabava aí. Alguns, entre eles Flynn, pegaram um micro-ônibus que estava aguardando lá fora. Iriam até onde estava enterrado o corpo de Pinkete. Malaquias ficou pela igreja mesmo, tinha que voltar logo para casa.
Eram lá pelas quinze para as seis da noite. O céu estava com uma tonalidade alaranjada.
Diziam que o laranja era a cor da Pinkete. Ela adorava laranja, principalmente quando ele vinha combinado com rosa ou com verde. E o laranja combinava bem com ela, com aquele pelo rajado com branco dela, com aqueles olhos ambarados dela, com aquela doçura misturada com vivacidade dela.
E o laranja virou o azul das lajotas lisas de um pequeno túmulo, ideal para acomodar um gato. Flynn havia trazido umas duas velas, embora tivesse precisado que um humano lhe emprestasse o isqueiro para acendê-las. E as duas velas de meu gato quase que desapareceram no meio de tantas velas que foram acesas alí, àquela hora, em volta do retrato da bichana deixado alí, por outra pessoa.
Era uma foto diferente da que estava estampada nas camisetas, mas nela Pinkete também usava um vestidinho laranja. E estava de olhos fechados, pois a foto fora tirada com flash e Pinkete detestava flash. Talvez o detestasse mais do que água. A luminosidade das velas competia com a do sol.
E foi só nessa hora que Flynn permitiu-se deixar cair uma ou outra lágrima. Pinkete... brutalmente assassinada. Foi vítima de um cabo de vassoura e forçada a tomar raticida. E, debaixo do olhar daquele humano repugnante, ela agonizou, cheia de hematomas. O pior é que, embora já há muito a legislação já reconhecesse que os gatos também eram seres racionais e pensantes como a espécie humana, o assassino ainda encontrava-se solto, amparado em algumas brechas na lei que o protegiam.
O pior é que da morte não dá para se buscar alguém. O jeito era rezar pela punição ao criminoso e pela paz da alma de Pinkete.
Dizem que os gatos tem sete vidas. É lenda. Todos os seres vivos possuem apenas uma e é preciso que zelemos por ela, tanto pela nossa quanto pela dos outros.
O incrível é que alguns humanos, mesmo que a espécie tenha atingido a "sapiência" muito antes dos gatos, ainda não tenham aprendido isso. Eles não só ignoram o bem precioso que é a vida das outras espécies como também a da deles própria. Casos de um homem matando outro não são raros. Nunca foram.
Logo, Flynn decidiu ir embora. Estava cansado, triste, revoltado. Ao longe, os que ficaram rezavam.
Diferente este conto do Flynn, não? É que eu resolvi fugir daquelas velhas histórias... aquelas que aconteciam nas ruas aqui perto de casa, com gatos das redondezas... e optei desta vez por um universo paralelo, onde eu e o meu gatinho querido estamos em pé de igualdade quando o assunto é, digamos, "cabecinha inteligente" hehe.
Pinkete existiu de verdade. Era a gata de estimação das minhas primas. Há até uma foto dela aqui no blog.
Ela foi morta há uns dois meses (Sim, esta parte também é real). Um mal intencionado deu veneno para ela.
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Droga!... Não sou paulistana. Como vou participar da festa?
Ainda bem, sou teresinense. Acho que posso esperar até o aniversário da minha cidade...
By JuLiAnA HeLeNa![]()
Mais uma vez, meus caros, essa de ter dois post em um. Realmente, estou gostando desse esquema...
o0o0o0... ÊNIO E BETO
Uma vez, encontrei um colega do papai no Teresina Shopping. Não me lembro se tinha alguém com ele nesse dia, mas sei que ele carregava uma mochila da Vila Sésamo. A mochila era do flho dele.
Ai... Aquela mochilinha que eu era doida para ter como minha mochila de colégio! Mas que a mamãe reprovou por achar que ela era pequena para carregar os meus livros. E olha que o modelo que apresentei à mamãe era bem maior do que a mochila que o amigo de meu pai carregava consigo.
Enquanto conversávamos, houve um momento em que eu inquiri sobre os personagens estampados naquela bolsa. Queria saber se ele sabia o nome deles. Sabem, essas perguntas que os fanáticos fazem aos outros só para terem o prazer de escutarem os nomes de seus ídolos...
- E este é o Ênio... -ele falou numa hora.
- Não, este é o Beto. -ele havia confundido o Ênio com o Beto, caramba. Mas isso é normal.
É normal não porque talvez o amigo do meu pai saiba pouco sobre a Vila Sésamo...
Mas porque o Ênio tem cara de Beto e o Beto tem cara de Ênio!
É sério, minha gente. Vejamos: numa foto com a dupla dinâmica da Vila Sésamo junta, temos, claro, um cara meio rechonchudo, de camisa com listras na horizontal, e ar extremamente simpático. Também temos um cara mais magro que palito, em cuja camisa as listras estão na vertical, e pinta de quem saiu da década de 1930. Analizando-os, podemos concluir que o nome "Beto" se ajusta melhor ao primeiro enquanto "Ênio", ao segundo.
Mas não é bem assim! O cheinho é o Ênio e o magrinho é o Beto. Às vezes, não dá certo presumir o que uma pessoa é só de olhar para ela. O caso de Beto e Ênio é um desses.
Eu mesma, quando ainda estava "aprendendo" que Vila Sésamo existe, me confundi com os nomes e os perfis deles. A primeira fita de vídeo (ainda era o tempo da fita de vídeo...) da V.S. que foi levada aqui para casa foi uma tal de "Brincando com Ênio e Beto", só depois é que veio a "Elmopalooza", que foi a que alavancou a minha paixão pela turma de bonecos mais fantástica do mundo. Entre a hora de pagar a fita no caixa e a de colocá-la no videocassete, tive muito tempo para olhar a capa de "Brincando..." e tirar as minhas conclusões (erradas) sobre quem seria quem da dupla.
Um dia, finalmente decidi assistir à "Brincando...". Já havia feito um mês que eu conheci a trama de "Elmopalooza" e eu já era uma completa apaixonada pela Vila. Então, para que deixar a outra fita sem assistir? Quando meu irmão já tinha ido dormir, entrei no quarto dele, coloquei a fita no vídeo e me sentei na rede. E um prato de janta ora sobre as minhas mãos, ora no chão.
Pois bem, a fita começou, e o primeiro episódio apresentado foi um em que Ênio e Beto haviam ido ao cinema. E então, numa hora o Ênio chamou o Beto para perguntar-lhe o que fazer já que uma senhora com um chapéu enorme (e bota enorme nisso) havia sentado na frente. E quando ele chamou, eu pensei que não havia escutado direito porque, afinal, o Ênio estava com a boca cheia de pipoca.
Não sei se eu voltei o vídeo para escutar melhor o Ênio chamando o amigo, mas se eu voltei ou não, não faria a mínima diferença. Até porque, logo depois, o Beto disse ao companheiro que era para não incomodá-lo (que tipo de amigo é esse, que não dá a mínima para os problemas do outro?!?! Brincadeira.) e, para isso, usou o vocativo. E todos nós sabemos, pelas normas gramaticais, o que é um vocativo. E nesse caso, o vocativo atenderia por "Ênio".
Ao longo da fita, que durava só 30 minutos, várias vezes um falaria o nome do outro. Já mesmo antes do fim do tal epiódio no cinema, eu já sabia quem na verdade era o Ênio e quem era o Beto. Não há mais espaço para confusão.
Acho que para saber quem é Beto e quem é Ênio, é preciso conhecer Vila Sésamo. Não basta apenas chegar a um pôster no qual esteja a foto deles e apresentá-los à outrem. Quem não os conhece vai confundir, do mesmo jeito que eu me confundi, do mesmo jeito que o amigo do meu pai se confundiu.
E o ser humano tem muito dessa mania de julgar as coisas só pela cara...
o0o0o0... INO E SHIKAMARU
Lá pelos idos de 2007, eu adorava ir ao YouTube para ver um videozinho, embalado por uma música da Avril Lavigne chamada "Girlfriend", do anime Inuyasha. Não sei o que foi que me atraiu naquela peça audiovisual de cerca de 3 minutos de duração... Seria a animação da música? Seria o prazer que dá ao se ver um desenho japonês bem feito? Será os dois juntos?
Realmente, eu amava aquele vídeo... Só que chegou o dia em que o tiraram do ar, literalmente. E vocês já devem imaginar como deve ser quando tiram do ar uma coisa que você gosta. Dá raiva.
Mas calma, JuJu, que devem haver muitos belos vídeos de desenhos japoneses embalados por músicas legais espalhados na imensidão que é o YouTube! E eu resolvi ir atrás de outro, só que um tanto discretamente, até porque eu não queria relegar a segundo plano os vídeos da Vila Sésamo que eu via também bastante por aquelas bandas. O melhor método de proucura para mim foi dar uma espiadela naquela coluna na home page do YouTube, aquela na qual aparecem os vídeos que estavam sendo assistidos naquele momento.
E foi nesse rol que eu encontrei um vídeo que tinha como figuras principais uma mocinha de roupas roxas e cabelos loiros, bem bonitinha ela, e um garoto de roupas verdes e um penteado que lembra a "coroa" de um abacaxi. A música? Aquela do Pill Collins... "You'll be in my heart". Bem, tal qual o outro, este também me conquistou. Ele até foi postado aqui naquele post da carta, vocês se lembram.
Se bem que eu descobri no próprio vídeo que os astros da peça eram personagens secundários do anime no qual estavam inseridos. É que, numa hora, eu vi no vídeo o Naruto. Sim, eu já conhecia o Naruto antes, mas só de rosto...
E com o tempo, acabei gostando não só do vídeo, mas também da tal mocinha loira. Foi assim que eu conheci a personagem de anime favorita deste blog, que você já sabem que é.
O que vocês não sabem foi o quanto de confusão que a identidade dessa personagem causaria, e também as consequencias disso caso eu não tivesse conseguido esclarecer a situação... Olhem só...
Obviamente, eu quis saber qual era o nome da tal garota. Só que eu só fiquei observando o tal vídeo, e tinha um momento dele no qual estavam escritos os nomes dela e do outro cara que aparecia. Não sei se foi porque tinha mais sílabas ou porque estava situado numa parte mais em cima do que o outro, só sei que, quando chegava essa hora, o nome que me saltava aos olhos era "Shikamaru".
E eu conclui "Taí o nome da criatura!". Já o outro era "um tal de Ino".
Como eu gostava da personagem, obviamente procurei mais vídeos dela, a partir daquele que eu já conhecia. Por isso, os vídeos nos quais eu acabava chegando, ela sempre estava junto do outro sujeito. Eram ele e ela, sempre. Nesse mesmo período, também vi outros vídeos que tinham como foco outros personagens do anime da garota. Com isso, acabei descobrindo a história, no mínimo a trama central, do desenho da nossa queridissima... Shikamaru.
E eu ainda achava que o "u" no final do nome era tônico...
Num domingo, no qual eu passei um tempinho repetindo mentalmente o nome dela, me veio algo como "Shika, como Chica, de Francisca...". Acontece que o nome em questão poderia ser reduzido para "Shika", e, diga-se de passagem, era muito melhor chamar a personagem assim. Foi então que eu tive a ideia de fazer um poema para a garota e postá-lo aqui no blog.
Com o tempo, foram aparecendo os outros versos. Não posso dizer que foi algo fácil, até porque eu não sou tão boa na poesia quanto sou na prosa. E deixei para lá a métrica e as rimas, que seja. Acho que sou meio modernista... na hora de fazer, acho melhor livrar-me das convenções.
Enquanto ia sendo tecida a poesia, eu também ia assistindo o videozinho da personagem e todos os outros que eu conseguia alcançar. E sempre ela mais ele, o... Ino.
Até que chegou o dia em que decidi ir atrás de vídeos nos quais ela aparecia sozinha. Também, era ela que me interessava, pra quê então o outro aparecer junto? Então, depois de mais uma assistida do velho e bom vídeo que eu encontrara naquela vez no rol dos "assistidos no momento", eu digitei "Shikamaru" no campo de busca. E botei para o site procurar!
Quando apareceu a página com os vídeos encontrados, na maioria deles aparecia a cara do outro no quadradinho que acompanhava o nome da peça. Achei até normal, visto que eu já tinha visto aquele sujeito tantas vezes ao lado da minha tão querida personagem. Cliquei em um deles, afinal eu queria ver logo a cara da garota e...
Então eu notei que havia algo errado... O garoto, que tantas vezes vi involuntariamente nos vídeos, estava aparecendo demais. Aliás, demasiadamente demais! Cadê Shikamaru? Cadê ela? Não era para ela estar alí?
Foi então que, pensando um pouco, comecei a considerar a hipótese de que... Ai ai ai! Eu logo recorri outra vez ao campo de busca, só que desta vez digitando "Ino". E quando se abriu a página com os vídeos relacionados ao termo digitado na busca... Sabem quando um personagem de desenho japonês fica extremamente surpreso com alguma coisa? Pois a minha cara ficou assim.
E não é que a imagem da loirinha personagem de anime estava estampada em todos os vídeos, e em todos os títulos o nome "Ino" constava. Ino, Ino, Ino... E eu me dando conta da burrada que eu estava comentendo! Shikamaru era o nome do garoto! Já o tal de Ino não era o tal, mas a tal, e ela nem merecia esse "tal", até por que era um "tal" de descaso.
Ela é que se chamava Ino! Mais precisamente, Ino Yamanaka.
Tive que recomeçar do zero o poema. Se eu o publicasse no blog do jeito que estava, era capaz dos fãs do anime Naruto acabarem comigo... No fim das contas, minha aventura poética ficou até mais incrementada (o poema é este aqui) depois que se desfez a troca de nomes. Fiquei sabendo de mais coisas sobre a Ino, e aproveitei todas.
Aliás, descobri nas pesquisa que, no anime, Ino era obsecada pelo personagem de nome Sasuke. Ué? E o Shikamaru, aquele garoto de penteado que lembra uma "coroa" de abacaxi, que os vídeos diziam ser tão próximo da nossa loirinha? E ele?
Bom, depois eu descobri também que, quanto aos casais do anime Naruto, é só uma questão de ponto de vista...
By JuLiAnA HeLeNa![]()
P.S.: Leiam e comentem também um post menorzinho que eu fiz um pouco antes de fazer este, vocês não sabem o quanto deixam uma blogueira e seu blog felizes por isso...
1- Eu dei uma assistida na nova novela das oito, "Caminho das Índias". Foi bom, mas achei as cenas do Bahuan (Márcio Garcia) e da Maya (Juliana Paes) um tanto estranhas... Ah, e foi engraçada aquela cena em que o Opash (Tony Ramos) vê uma viúva na rua e corre para dentro de casa! Pois é, pessoal...
2- A posse do novo presidente dos EUA, Barack Obama, é hoje. E já está acontecendo. Eita!
3- O novo bichano da minha prima, o "ex-Dodi", já possui nome definitivo: José Jeremias. Ou J.J., como preferirem.
4- Não sei porquê, mas esse recente (e trágico) acidente com o telhado da Igreja Renascer, em São Paulo, me lembrou aquele outro de 2007, o da cratera no metrô...
5- Falando em São Paulo, fiquei sabendo que houve também uma coisa muito "Friends Forever" por lá. Só não estou lembrada agora do que foi...
6- Fiz este post com a intenção de acabar com o monte de "P.S." que estava tendo nos posts anteriores. Sem falar que isso já estava ficando enjoativo, não?
By JuLiAnA HeLeNa![]()
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