O final trágico de uma pequena sereia

Esse post que escrevo agora já deveria estar aqui desde o último domingo, mas a página de fazer os posts daqui ficou meio doentinha no findi... e um tanto inacessível. Bom, mas agora este texto vai sair, o olha que ele já esperava há um tempão por isso. 

Todos vocês conhecem aquela famoso conto de fadas do Hans Christian Andersen: A Pequena Sereia, não é? E com certeza já devem ter assistido alguma das várias versões em filme dessa história, imagino. Talvez a maioria conheça a Ariel, da versão Disney. Tem também a Lena, da versão Goodtimes, e a Miranda, da versão Spot Films... e tantas outras que eu nem imagine quais. Bom, aqui estamos para falar da sereia da versão japonesa do conto: a Marina.

Calma aí, caros leitores. Para falar a verdade, a Marina não tem olhos puxados e nem se entope de sushi. Não, não, não. Dona Marina é uma sereia com dentro dos moldes típicos de uma jovem européia (também, a história passa-se na Europa), e de japonês ela só leva o jeito da qual foi desenhada. Marina é um animê. O filminho dela tem jeitão de velho, creio até que Marina tenha aparecido antes mesmo da Ariel... eu não sei...

A história de Marina é aquela que todos nós conhecemos. Ela é uma sereiazinha esperta que vive num palácio no fundo do oceano com suas várias irmãs, seu pai e sua avó -que originalidade colocar esta última! Seu parceiro de todas as horas é o golfinho Fritz -sendo que acho que este tem até o bordão "Marinaaaaaaaaaaa!!!"- que apesar de ser mais ajuizado não signifique que ele seja mais sensato. Num belo dia, Marina vai com o Fritz dar uma olhada num veleiro afundado onde encontra a estátua de um príncipe. Ela fica encantada pela estátua e começa a desejar ir para a superfície. Ela e o "Marinaaaaaaaa!!!" bolam um jeito e vão. Chegando lá, eles vêm um navio onde ocorre uma grande festa... e eis que lá está o príncipe da estátua!

Bom, é muito mais coerente ter um golfinho como amigo incondicional. Também, eu nunca entendi como é que um peixe (o Linguado, amigo da Ariel) pode colocar a cabeça fora d'água...

Continuando, de repente começa aquela tempestade, o barco afunda e a Marina salva o príncipe de tão apaixonada que ela está por ele. Querendo ficar sempre ao lado de seu amor da terra, ela vai atrás da bruxa dos mares para trocar o rabo de peixe por um par de pernas e... Bom, nem adianta contar o resto, não é, pessoal? O vídeo acima mostra um dos melhores momentos do filme da Marina, que é quando ela consegue chegar em terra firme com o príncipe a tiracolo. Vocês já viram o vídeo?

Bom... agora vem a parte literalmente chata da história. Ariel, Miranda, Lena e tantas outras sereias de tantas outras versões levaram seus príncipes ao altar após tanto esforço para ficar perto deles. Todas elas tiveram seu merecido "viveram felizes para sempre"... já Marina não. Isso mesmo, pessoal. É triste, mas mesmo após tantas batalhas travadas pela nossa corajosa sereiazinha made in Japan, ela não terminou com o seu amado príncipe... Vou explicar porquê: Quando Marina deixou o príncipe na praia, uma moça apareceu e a alteza abriu os olhos. Daí que ele começou a pensar que foi aquela moça que havia salvo a vida dele, e não Marina. Já quando a pequena sereia já está com pernas e sempre fazendo compania a ele, o príncipe é avisado que terá que casar com uma tal princesa sueca. Ele diz que não, que quer é se casar com a Marina e blá blá blá... Só que mesmo assim o cara teve que ir para a Suécia (e pior, levando a Marina!) para conhecer a noiva.

E daí? É que, ao conhecê-la, o príncipe percebe que ela é a garota que (ele pensa) que salvou a vida dele! E não pensa duas vezes antes de se casar com ela. Pronto... já era para a Marina.

Esse final desfavorável até que seria fácil de engolir se não fosse por um detalhezinho... Quando a bruxa lhe deu pernas, a malvada além de tirar a voz da Marina -como todas as bruxas desse conto fazem- ainda decreta exatamente assim "...porque se ele desposar outra mulher, na aurora seguinte a sua vida se estinguirá, seu coração se despedaçará e seu corpo dissolver-se-á em bolhas de sabão.". É claro que os amigos marítimos da sereia tentaram evitar esse triste fim. Eles visitaram a mesmíssima bruxa que a Marina visitou e olha o que a pobre da sereiazinha tinha que fazer: Munida de um punhal mágico, Marina tinha que cravá-lo no coração de seu amado príncipe! E em seguida, manchar os pés com o sangue do coração dele! E ela voltava a ser uma sereia.

Fala sério, gente! Vocês acham que a Marina teria coragem de assassinar o príncipe que ela tanto ama? É claro que não! Diante de uma sintuação dessas, Marina resolveu adimitir que havia chegado a hora de seu babau. Pulou na água e, quando o sol raiou, virou um sem-número de bolhas de sabão... O pior é que, ao ver as bolhinhas subindo até o céu, o príncipe finalmente se deu conta de que era Marina a quem lhe devia a vida! Tarde demais.

De onde eu conheço a história da Marina? Numa dessas viagens que fiz à Fortaleza, eu era criança ainda, comprei a fita numa lojinha que ficava perto da praça de alimentação do North Shopping. Confesso que senti tanta pena, mas tanta pena da pobre sereia Marina que até chorei ao me dar conta de seu fim. Chorei mesmo. Bom, eu tenho a fita até hoje e continuo vendo quando me dá vontade -pena que o vídeo acima não esteja em bom português como a fita, mas em inglês. Não sei se a história de Marina possa ser encontrada em alguma locadora hoje. Talvez não.

Para terminar, estaria sendo injusta se não dissesse que a versão animê de A Pequena Sereia, a história da princesa Marina, termina em grande estilo. Imagine um filme que, no final, mostra a estátua da pequena sereia que fica lá na Dinamarca... Sendo que antes é mostrada algumas casas daquele país e um pouco de mar, e tudo isso em imagens bem REAIS. Merece nota 10 esse final... mas continua sendo uma pena que o desenho acabe triste

Não é a toa que este post chama-se "O final trágico de uma pequena sereia". E dá dó só de pensar no Fritz "perseguindo" as bolhas em que sua amiguinha se transformou e entoando, de tristeza, seu bordão "Marinaaaaaaaaa!!!". Acho que foi isso que me fez chorar...

By JuLiAnA HeLeNa

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